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II Samuel Shamu UL




1:
1-2
Pouco tempo depois da morte de Saul, Davi voltou dos seus ataques contra os
amalequitas para Ziclague. Três dias depois, sem aviso, um rapaz chegou do
acampamento militar de Saul.
2-3
Com as vestes rasgadas e em estado de luto, ele se prostrou diante de Davi,
que perguntou: “O que o traz aqui?”. Ele respondeu: “Acabo de fugir do
acampamento de Israel”.
Davi perguntou: “O que aconteceu? Que notícia você traz?” Ele disse: “Os
4
israelitas fugiram do campo de batalha, deixando para trás muitos dos seus
companheiros mortos. Saul e Jônatas também morreram”.
Davi quis saber do soldado mais detalhes: “Como você sabe, com tanta certeza,
5
que Saul e Jônatas estão mortos?”
“Cheguei por acaso ao monte Gilboa e encontrei Saul gravemente ferido sobre
6-8
sua lança e os carros e cavaleiros do inimigo chegando perto dele. Ele olhou
para trás e, quando me viu, chamou-me. Respondi: ‘Sim, senhor! Estou à sua
disposição’. Ele me perguntou quem eu era, e eu disse: ‘Sou amalequita’.
“Ele respondeu: ‘Venha aqui. Acabe com o meu sofrimento. Estou morrendo,
9
mas ainda estou consciente’.
“Então, fiz o que ele pediu. Eu o matei. Sabia que não sobreviveria por muito
10
tempo. Tirei a coroa e o bracelete dele e os trouxe para o meu senhor. Aqui
estão”.
11-12
Em sinal de luto, Davi rasgou a própria roupa. Todos os que estavam com ele
fizeram o mesmo. Eles choraram e jejuaram o restante do dia, em sinal de luto
pela morte de Saul e de seu filho Jônatas, pelo exército do Eterno e pela nação
de Israel, vítimas de uma batalha mal-sucedida.
Depois, Davi disse ao jovem soldado que trouxera a notícia: “Quem é você
13
mesmo?” “Sou filho de um estrangeiro. Sou amalequita”.
Davi disse: “Quer dizer que você não hesitou em matar o ungido do Eterno?”.
14-15
No mesmo instante, ele deu ordens a um dos seus soldados: “Mate-o!”. O
soldado desferiu um golpe contra o rapaz, e ele morreu.
Davi declarou: “Você mesmo pediu isso. Você mesmo pronunciou a sua
16
sentença de morte quando disse que tinha matado o ungido do Eterno”.
17-18
Em seguida, Davi cantou este lamento sobre Saul e seu filho Jônatas. Também
deu ordens para que todos em Judá memorizassem o lamento. Ele pode ser
lido no Livro de Jasar.
19-21
Oh! Oh! As gazelas de Israel, feridas estão sobre os montes, os poderosos
guerreiros caíram! Não anuncie isto na cidade de Gate, não divulgue nas ruas
de Ascalom. Para que as filhas dos filisteus não tenham mais um motivo para
celebrar! Não haja mais orvalho nem chuva sobre vocês, ó montes de Gilboa, e
nenhuma gota de água em suas fontes e nascentes, Pois ali os escudos dos
guerreiros foram arrastados no barro, o escudo de Saul ficou ali, apodrecendo.
22
O arco de Jônatas era ousado, quanto maior o inimigo, mais sangrenta a
derrota. Destemida era a espada de Saul: quando desembainhada, nada a
detinha.
23
Saul e Jônatas, muito amados e admirados! Unidos na vida, unidos na morte.
Eram mais velozes que as águias, mais fortes que os leões.
24-25
Chorem por Saul, mulheres de Israel! Ele vestia vocês com finas vestes de linho
e seda, não economizava para mantê-las elegantes. Os heróis de guerra,
caídos no meio da batalha! Jônatas, ferido sobre os montes!
26
Ah, querido irmão Jônatas! Estou triste pela sua morte. Sua amizade foi um
milagre surpreendente, amável muito além de todos os que conheci ou
imaginava conhecer.
27
Os heróis de guerra estão caídos. As armas de guerra foram despedaçadas.

Depois disso, Davi orou. Ele perguntou ao Eterno: “Devo me mudar para uma
2:
1
das cidades de Judá?” O Eterno respondeu: “Sim, vá”. Davi perguntou: “Para
qual cidade?” Yaohuh disse: “Para Hebrom”.
2-3
Assim, Davi mudou-se para Hebrom com suas duas esposas, Ainoã, de Jezreel,
e Abigail, viúva de Nabal do Carmelo. Os homens de Davi, com suas famílias,
também foram com ele e se estabeleceram em Hebrom e seus arredores.
4-7
Os moradores de Judá vieram a Hebrom e, ali mesmo, proclamaram Davi rei
sobre os clãs de Judá. Disseram a Davi que foram os homens de Jabes-Gileade
que tinham dado um sepultamento digno a Saul. Davi enviou mensageiros aos
homens de Jabes-Gileade, dizendo: “O Eterno abençoe vocês pelo que fizeram,
por honrarem o seu senhor Saul com esse funeral. Que o Eterno seja leal e fiel
a vocês. Eu também farei o mesmo: serei generoso como vocês. Sejam fortes e
façam o que deve ser feito. Saul, senhor de vocês, está morto. Os moradores
de Judá me constituíram rei sobre eles”.
8-11
Enquanto isso, Abner, filho de Ner, comandante do exército de Saul, levou Is-
Bosete, filho de Saul, para Maanaim e o proclamou rei sobre Gileade, Aser,
Jezreel, Efraim e Benjamim, isto é, rei sobre todo o Israel. Is-Bosete, filho de
Saul, tinha 40 anos de idade quando começou a reinar sobre Israel. Ele reinou
apenas dois anos. Mas o povo de Judá permaneceu leal a Davi. Em Hebrom,
Davi reinou sobre o povo de Judá sete anos e meio.
12-13
Certo dia, Abner, filho de Ner, partiu de Maanaim para Gibeom com os soldados
de Is-Bosete, filho de Saul. Joabe, filho de Zeruia, e os soldados de Davi
também partiram. Eles se encontraram no açude de Gibeom. As tropas de
Abner ficaram de um lado, e as de Joabe, do outro lado do açude.
Abner desafiou Joabe: “Apresente seus melhores soldados. Vamos vê-los lutar”.
14
Joabe respondeu: “Tudo bem! Estou de acordo!”
15-16
Então, doze benjamitas de Is-Bosete, filho de Saul, e doze soldados de Davi se
prepararam para lutar. Cada um agarrou a cabeça do adversário e fincou a
espada nele. Todos caíram mortos de uma só vez. Por isso, aquele lugar é
chamado Helcate-Hazurim (Campo da Carnificina). Fica ali mesmo, em Gibeom.
17-19
A batalha se intensificou durante todo o dia. Abner e os homens de Israel foram
esmagados pelos homens de Davi. Os três filhos de Zeruia estavam lá: Joabe,
Abisai e Asael. Asael, veloz como um antílope em campo aberto, perseguiu
Abner, sempre em seu encalço.
Abner olhou para trás e perguntou: “É você, Asael?”. Ele respondeu: “Sou eu
20
mesmo”.
Abner disse: “Desista de mim! Escolha outro que você tenha chance de ferir
21
para ficar com as suas armas!” Mas Asael não desistiu.
Abner tentou mais uma vez: “Volte! Não me obrigue a matar você! Como vou
22
enfrentar seu irmão Joabe?”.
23-25
Como ele não desistia, Abner parou, virou para trás e enfiou a lança na barriga
de Asael com tanta força que ela saiu pelas costas. Asael caiu morto no chão.
Todos os que chegavam ao local em que Asael estava caído paravam. Mas
Joabe e Abisai continuaram perseguindo Abner. Ao pôr do sol, chegaram à
colina de Amá, em frente de Gia, na estrada que sai para Gibeom. Os
benjamitas ficaram do lado de Abner, estrategicamente organizados sobre a
colina.
Abner gritou para Joabe: “Vamos continuar matando uns aos outros? Não sabe
26
que isso só vai provocar mais amargura? Até quando vai permitir que seus
homens persigam seus irmãos?”
Joabe respondeu: “Assim como Yaohuh vive, se você não tivesse falado nada,
27-28
teríamos continuado a perseguição até de manhã!”. Dito isso, ele tocou a
trombeta, e todo o exército de Judá parou. Eles desistiram de perseguir Israel e
puseram fim à guerra.
29
Abner e seus soldados marcharam a noite inteira pelo vale da Arabá.
Atravessaram o Jordão e, depois de marchar toda a manhã, chegaram a
Maanaim.
30-32
Depois de voltar da perseguição de Abner, Joabe fez a contagem do seu
efetivo. Além de Asael, estavam faltando dezenove soldados de Davi. Os
soldados de Davi tinham ferido e matado trezentos e sessenta soldados de

Abner, todos benjamitas. O corpo de Asael foi trazido e sepultado no túmulo da
família, em Belém. Joabe e seus soldados marcharam toda a noite e chegaram
a Hebrom ao amanhecer.
3:
1
O conflito entre a família de Saul e a família de Davi continuou por muito tempo.
Quanto mais perdurava, mais Davi se fortalecia e mais a família de Saul se
enfraquecia.
2-5
Enquanto permaneceu em Hebrom, Davi teve os seguintes filhos: o mais velho,
Amnom, filho de Ainoã, de Jezreel; o segundo, Quileabe, filho de Abigail, viúva
de Nabal do Carmelo; o terceiro, Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de
Gesur; o quarto, Adonias, filho de Hagite; o quinto, Sefatias, filho de Afeitai; o
sexto, Itreão, filho de Eglá. Esses seis filhos de Davi nasceram em Hebrom.
6-7
Abner aproveitou o conflito entre a família de Saul e a família de Davi para se
fortalecer. Saul teve uma concubina chamada Rispa, filha de Aia. Certo dia, Is-
Bosete questionou Abner: “Por que você se deitou com a concubina de meu
pai?”.
Abner perdeu a paciência com Is-Bosete e disse: “Você está me tratando como
8-10
cachorro? É assim que sou tratado depois de permanecer leal à família de seu
pai e a todos os seus parentes e amigos? Eu pessoalmente o salvei de ser
capturado por Davi, e agora você se incomoda por eu ter me deitado com uma
mulher? Sabe o que vou fazer? Vou colaborar com a transferência do reino da
família de Saul para Davi, para que ele reine sobre toda a nação, Israel e Judá,
de Dã a Berseba, como o Eterno prometeu a ele. Que Yaohuh me castigue se
eu não fizer isso!”
11
Is-Bosete, com medo de Abner, não disse nada.
Abner tomou a iniciativa e mandou dizer a Davi: “Vamos fazer um acordo, e
12
ajudarei você a conquistar a lealdade de toda a nação de Israel”.
Davi respondeu: “Ótimo! Façamos o acordo, mas com uma condição: nem
13
apareça aqui se não trouxer Mical, filha de Saul, quando vier me encontrar”.
Ele mandou este recado a Is-Bosete, filho de Saul: “Devolva-me Mical, que me
14
foi dada em casamento como recompensa pelos cem prepúcios dos filisteus”.
15-16
Is-Bosete determinou que ela fosse tirada do marido, Paltiel, filho de Laís, e
Paltiel a seguiu chorando por todo o caminho até Baurim. Ali, Abner ordenou:
“Volte para casa”. E ele voltou.
Abner reuniu os líderes de Israel e disse: “Faz tempo que vocês querem que
17-18
Davi seja rei sobre vocês. Pois chegou a hora! Além disso, o Eterno prometeu a
Davi: ‘Por intermédio do meu servo Davi, livrarei o meu povo, Israel, da
opressão dos filisteus e de todos os outros inimigos’”.
19
Abner chamou os benjamitas de lado e conversou com eles. Depois, foi a
Hebrom conversar a sós com Davi e contou a ele o que Israel, em geral, e
Benjamim, em particular, pretendiam fazer.
20
Quando Abner e sua comitiva de vinte homens chegaram a Hebrom, Davi
ofereceu um banquete a eles.
Abner disse: “Estou pronto. Deixe-me voltar e reunir todo o Israel para que se
21
submeta ao meu senhor, o rei. Eles assinarão um acordo, para que o senhor
governe sobre eles como achar melhor”. Davi despediu Abner em paz.
22-23
Logo depois, os soldados de Davi, liderados por Joabe, retornaram de uma
batalha, trazendo muitos despojos. Abner não estava mais em Hebrom com
Davi, pois tinha acabado de partir. Quando Joabe e o grupo de soldados
chegaram, souberam que Abner, filho de Ner, tinha estado com Davi e voltado
para casa em paz.
Joabe foi falar com o rei: “O que o senhor fez? Abner vem aqui, e o senhor o
24-25
deixa ir embora livre? Saiba que Abner é muito esperto. Essa visita, não teve
intenção amistosa. Ele veio espionar, conhecer os seus movimentos, descobrir
o que o senhor está fazendo”.
26-27
Joabe saiu dali e partiu para a ação, enviando mensageiros para alcançar
Abner. Eles se encontraram com Abner na cisterna de Sirá e o trouxeram de
volta. Davi não ficou sabendo de nada. Quando Abner chegou de volta a
Hebrom, na entrada da cidade, Joabe o levou ao canto para uma conversa em
particular. Ali mesmo, ele o esfaqueou na barriga, matando Abner a sangue frio,
como vingança pela morte de seu irmão Asael.

28-30 Mais tarde, quando soube do fato, Davi declarou: “Eu e o meu reino somos
inocentes diante do Eterno pelo assassinato de Abner, filho de Ner. Que Joabe
e toda a sua família sofram para sempre por derramar esse sangue. Que sejam
vítimas de doenças de pele, violência e fome”. (Joabe e seu irmão Abisai
assassinaram Abner porque ele tinha matado o irmão deles, Asael, na batalha
de Gibeom.)
31-32 Davi ordenou a Joabe e a todos os soldados comandados por ele: “Rasguem as
suas roupas! Usem roupas de luto! Conduzam o cortejo fúnebre de Abner e
chorem bem alto!”. O rei Davi seguiu atrás do caixão. Abner foi sepultado em
Hebrom, e o rei chorou muito ao lado do túmulo dele. O povo chorou também.
33-34 Então, o rei entoou este tributo a Abner: “Como pode ser isso? Abner morto
como indigente! Você era um homem livre, livre para ir e fazer o que quisesse.
Você caiu como uma vítima de briga de rua!” O povo agora chorava
incontrolavelmente!
35-37 Depois do funeral, todos insistiam com Davi, para que comesse alguma coisa
antes do anoitecer. Mas Davi fez este juramento: “Yaohuh, ajuda-me para que
eu não prove uma única migalha de pão ou qualquer outra coisa antes do
anoitecer!” Todos os que estavam no funeral ouviram suas palavras e ficaram
admirados. Aliás, tudo que o rei fazia, o povo respeitava. Naquele dia, todos os
habitantes de Israel ficaram sabendo que o rei não estava envolvido na morte
de Abner, filho de Ner.
38-39 O rei disse a seus servos: “Percebem que hoje um príncipe e herói de guerra foi
vítima de uma injustiça em Israel? Mas eu, embora sendo rei ungido, não pude
fazer nada para impedir. Os filhos de Zeruia são mais poderosos que eu. Que o
Eterno retribua ao criminoso o crime cometido”.


O ASSASSINATO DE IS-BOSETE


4:
1
Quando Is-Bosete, filho de Saul, soube que Abner tinha sido morto em Hebrom,
perdeu a coragem, e toda a nação ficou abatida. O filho de Saul tinha dois
homens no comando das tropas. Um se chamava Baaná, e o outro, Recabe.
Eles eram filhos de Rimom, de Beerote, de Benjamim.
2-3
Os moradores de Beerote tinham sido designados à tribo de Benjamim desde
que fugiram para Gitaim. Até hoje moram ali, como estrangeiros.
4
Ora, Jônatas, filho de Saul, teve um filho aleijado. Quando esse filho tinha 5
anos de idade, chegou de Jezreel a notícia da morte de Saul e de Jônatas. Sua
ama o pegou e fugiu, mas, na pressa de escapar, ela caiu, e o menino ficou
aleijado. Ele se chamava Mefibosete.
5-7
Certo dia, Baaná e Reeabe, os filhos de Rimom, foram à casa de Is-Bosete.
Eles chegaram no maior calor do dia, no momento do descanso da tarde. Eles
entraram na casa, fingindo ter ido tratar de algum negócio. A mulher que
guardava a porta do quarto estava dormindo; por isso, Recabe e Baaná
conseguiram passar por ela e entrar no quarto em que Is-Bosete dormia. Eles o
mataram e cortaram a cabeça dele, saindo com ela como se fosse um troféu.
Eles viajaram a noite toda pelo caminho da Arabá.
Eles trouxeram a cabeça de Is-Bosete a Davi, em Hebrom, dizendo ao rei: “Aqui
8
está a cabeça de Is-Bosete, filho de Saul, seu inimigo. Ele queria matar você,
mas o Eterno vingou o meu senhor, o rei. Hoje, ele vingou o senhor de Saul e
de sua descendência!”.
9-11
Mas Davi respondeu aos irmãos Recabe e Baaná, filhos de Rimom, de Beerote:
“Assim como vive o Eterno, que me livrou de todas as minhas aflições, quando
o mensageiro me trouxe a notícia da morte de Saul, achando que eu ficaria
contente, eu o prendi e matei na mesma hora, em Ziclague. Foi essa a
recompensa dele pela suposta boa notícia! Agora, vêm vocês aqui, homens
perversos, dizendo que mataram um homem inocente a sangue-frio, um homem
que estava dormindo na própria cama! Não pensem que eu inocentarei vocês e
que não os eliminarei!”
12
Dito isso, Davi deu ordens a seus soldados. Eles mataram os dois homens,
cortaram a cabeça e os pés deles e penduraram os corpos perto do açude de
Hebrom. Mas levaram a cabeça de Is-Bosete e a enterraram no túmulo de
Abner, em Hebrom.

5:
1-2
Não passou muito tempo, todas as tribos de Israel procuraram Davi em
Hebrom, dizendo: “Olhe para nós, somos seu sangue e sua carne! No passado,
quando Saul era nosso rei, era o senhor quem saía para as guerras, em defesa
da nação. Naquele tempo, o Eterno já tinha dito: ‘Você pastoreará o meu povo
Israel e será príncipe sobre o meu povo’”.
3
Todas as autoridades de Israel se encontraram com o rei Davi em Hebrom, e o
rei fez um acordo com eles na presença do Eterno. Nesse dia, Davi foi ungido
rei sobre todo o Israel. III
4-5
Davi tinha 30 anos de idade quando começou a reinar. Ele reinou quarenta
anos. Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e meio. Em Jerusalém, reinou
sobre todo o Israel e Judá trinta e três anos.
6
Davi e seus soldados partiram imediatamente para Jerusalém, a fim de atacar
os jebuseus, que viviam naquela região. Mas os jebuseus disseram: “É melhor
voltar para casa! Aqui, até os cegos e os aleijados impediriam vocês de entrar.
Vocês não vão conseguir entrar aqui!”. Eles tinham certeza de que Davi não
conseguiria invadir a cidade.
7-8
Mas Davi atacou e capturou a fortaleza de Sião, que ficou conhecida, desde
então, como Cidade de Davi. Naquele dia, Davi disse: “Para conseguir derrotar
esses jebuseus, é preciso entrar pelo canal de água e acabar com esses cegos
e aleijados, que Davi detesta”. (É por isso que as pessoas passaram a dizer:
“Nenhum aleijado ou cego poderá entrar no palácio”,)
9-10
Davi fez da fortaleza a sua sede e deu a ela o nome de Cidade de Davi. Ele
promoveu o desenvolvimento da cidade da periferia para o centro. Davi
continuou se fortalecendo, pois o Senhor dos Exércitos de Anjos estava com
ele.
11-12
Foi nessa época que Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi com muitas
toras de cedro. Ele enviou também carpinteiros e pedreiros com a missão de
construir um palácio para Davi. Davi entendeu isso como um sinal de que o
Eterno estava confirmando seu reinado sobre Israel e consolidando o reino, por
amor de seu povo, Israel.
13-16
Depois de sair de Hebrom, Davi tomou mais concubinas e mulheres, e
nasceram outros filhos e filhas. Estes são os nomes dos que nasceram em
Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia,
Elisama, Eliada e Elifelete.
17-18
Quando os filisteus souberam que Davi tinha sido proclamado rei sobre todo o
Israel, fizeram planos para capturá-lo. Davi soube disso e desceu para sua
fortaleza, enquanto os filisteus se espalhavam pelo vale de Refaim.
Davi perguntou ao Eterno: “Devo atacar os filisteus? Posso contar com a tua
19
ajuda para derrotá-los?”
O Eterno respondeu: “Vá. Conte comigo. Eu o ajudarei a derrotá-los”. Davi foi
20-21
para Baal-Perazim e os derrotou ali. Depois de vencê-los, ele declarou: “O
Eterno irrompeu contra os inimigos como um jato de água. Por isso, Davi deu
ao lugar o nome de Baal-Perazim (O Senhor que Irrompe). Os filisteus que
fugiram abandonaram seus ídolos, e Davi e seus soldados os levaram embora.
22-23
Passado um tempo, outra vez os filisteus subiram e espalharam suas tropas
pelo vale de Refaim, e Davi, mais uma vez, consultou o Eterno.
Dessa vez, o Eterno disse: “Não os ataque de frente. Em vez disso, dê a volta
23-24
por trás deles e arme uma emboscada diante das amoreiras. Quando você ouvir
uma movimentação no alto das árvores, prepare-se para atacar. É o sinal de
que o Eterno saiu na frente para atacar o acampamento filisteu”.
25
Davi fez exatamente o que o Eterno recomendou e derrotou os filisteus desde
Gibeom até Gezer.
6:
1-2
Davi escolheu os melhores soldados de Israel, ao todo trinta mil. Com esse
contingente e também com seus soldados, Davi foi a Baalá com a intenção de
recuperar a arca de Yaohuh, sobre a qual se invoca o Nome, o nome do Senhor
dos Exércitos de Anjos, entronizado entre os dois anjos que ficam sobre a arca.
3-7
Eles puseram a arca de Yaohuh sobre uma carroça nova, e, assim, ela deixou a
casa de Abinadabe, que ficava na colina. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe,
conduziam a carroça que carregava a arca de Yaohuh. Aiô caminhava à frente,
e Uzá, ao lado da arca. Davi e todo o povo de Israel iam cantando com todo

entusiasmo, tocando harpas, liras, tamborins, chocalhos e címbalos. Quando se
aproximaram da eira de Nacom, o boi tropeçou, e Uzá, estendendo o braço,
segurou a arca de Yaohuh. O Eterno se irou contra Uzá e o feriu, porque ele
profanou a arca. Uzá morreu ali mesmo, ao lado dela.
8-11
Davi ficou aborrecido com o fato de o Eterno ter matado Uzá. Até hoje, o lugar é
conhecido pelo nome de Perez-Uzá (A Explosão contra Uzá). Naquele dia, Davi
sentiu medo do Eterno, pois pensava: “É muito perigoso transportar a arca.
Como vou levá-la em segurança para a Cidade de Davi?”. Por isso, decidiu não
levar adiante a arca do Eterno. Em vez disso, fez que a carroça saísse da
estrada, e a arca ficou guardada na casa de Obede-Edom, de Gate. A arca do
Eterno ficou três meses na casa de Obede-Edom. O Eterno abençoou Obede-
Edom e toda a sua família.
12-16 Davi foi informado de que o Eterno estava abençoando Obede-Edom e toda a
sua família por causa da arca de Yaohuh. Davi pensou: “Vou tomar essa
bênção para mim”, e mandou trazer a arca de Yaohuh da casa de Obede-Edom
para a Cidade de Davi, com muita festa, sacrificando um novilho gordo a cada
seis passos. Davi usava uma vestimenta sacerdotal de linho e dançava com
todo entusiasmo perante o Eterno. O povo o seguia, enquanto ele
acompanhava a arca do Eterno com gritos de alegria e ao som de trombetas.
Mas, quando a arca do Eterno entrou na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul,
veio assistir ao cortejo de sua janela. Quando viu o rei Davi pulando e dançando
diante do Eterno, ficou aborrecida com ele.
17-19 A arca do Eterno foi posta no meio do pavilhão da tenda que Davi tinha
preparado. Ali mesmo, Davi adorou, apresentando ofertas queimadas e ofertas
de paz. Depois de oferecer essas ofertas, Davi abençoou o povo, em nome do
Senhor dos Exércitos de Anjos e entregou a cada homem e a cada mulher um
pedaço de pão, um bolo de tâmaras e um bolo de passas. Então, todos
voltaram para casa.
20-22 Davi voltou para casa, a fim de abençoar sua família. Mas Mical, filha de Saul,
veio ao seu encontro: “Que bonito! O rei se expondo na presença das escravas
dos seus servos, como um dançarino de rua!” Davi respondeu a Mical: “Na
presença do Eterno, eu danço quanto quiser! Ele me escolheu, em vez de seu
pai e de toda a sua família, e me tornou príncipe sobre o povo do Eterno, sobre
todo o Israel. Não há dúvida de que vou dançar para a glória do Eterno, e me
rebaixarei ainda mais. Tenho prazer de ser visto no meio das pessoas simples,
pois, por essas escravas, com quem você se preocupa, eu serei respeitado”.
23
Mical, filha de Saul, nunca teve filhos.



A ALIANÇA ENTRE DEUS E DAVI


7:
1-2
Pouco tempo depois, o rei estava à vontade em casa, porque o Eterno tinha
dado a ele descanso de todos os seus inimigos. Certo dia, Davi disse ao profeta
Natã: “Veja só! Eu estou aqui no maior conforto, numa casa de cedro luxuosa,
enquanto a arca de Yaohuh continua numa simples tenda”.
Natã disse ao rei: “Faça o que estiver em seu coração. O Eterno está com
3
você”.
Mas, naquela noite, o Eterno disse a Natã: “Vá dizer ao meu servo Davi: ‘É isto
4-7
que o Eterno diz sobre essa questão: Você quer construir uma casa para eu
morar? Por quê? Até hoje, nunca morei numa casa, desde que trouxe os filhos
de Israel dá terra do Egito. Durante todo esse tempo, permaneci numa tenda.
Em todas as minhas jornadas com Israel, nunca exigi dos líderes que designei
para pastorear Israel a construção de uma casa de cedro para mim’.
“Por isso, diga ao meu servo Davi: ‘O Senhor dos Exércitos de Anjos diz assim:
8-11
Eu tirei você do cuidado das ovelhas e fiz de você príncipe sobre o meu povo,
Israel. Eu o acompanhei por todos os lugares que você foi e o ajudei a derrotar
os seus inimigos. Agora, estou tornando você conhecido e reconhecido entre as
pessoas mais importantes da terra. Vou designar um lugar seguro para o meu
povo, a fim de que tenham estabilidade numa terra própria, de modo que não
sejam mandados de um lado para o outro. Também não permitirei que os
perversos os molestem, como sempre fizeram, mesmo na época em que

estabeleci juizes para governá-los. Por fim, vou providenciar que você fique livre
de todos os seus inimigos.
“‘O Eterno tem ainda esta mensagem: Eu mesmo vou fundar uma dinastia para
11-16
você. Quando a sua vida chegar ao fim e você for sepultado com seus
antepassados, levantarei um descendente seu, seu próprio sangue e Carne,
que será o seu sucessor, e darei estabilidade ao governo dele. Ele edificará
uma casa em minha homenagem, e eu preservarei o reinado dele. Serei seu
pai, e ele será como um filho para mim. Se ele cometer algum erro, tratarei de
discipliná-lo, como de costume no caso de fracassos e tropeços da vida dos
mortais, mas nunca renunciarei ao meu amor por ele, como fiz com Saul, antes
de você. Sua família e seu reino serão sempre estáveis, eu mesmo estou
cuidado disso. Seu trono sempre estará lá, firme como uma rocha’”.
17
Natã relatou fielmente a Davi o que viu e ouviu na visão.
O rei Davi entrou na presença do Eterno e orou: “Quem sou eu, Senhor Eterno,
18-21
e quem é minha família para que eu chegasse a este ponto? E isso não é nada
comparado com o que está para acontecer, pois também falaste sobre o futuro
da minha família, dando-me um vislumbre dessa época, Senhor Eterno! O que
eu poderia dizer diante de tudo isso? Tu me conheces, Senhor Eterno, sabes
como sou. O que fizeste não foi pelo que sou, mas pelo que tu és e por tua
graça! E me deixaste saber disso.
“Por isso, tu é grandioso, Senhor Eterno! Não há outro igual a ti, não há outro
22-24
Yaohuh além de ti, nada há que se compare ao que ouvimos a teu respeito. E
quem pode se comparar com o teu povo, Israel, uma nação singular na terra,
que resgataste para ti, ó Yaohuh, ato que te tornou conhecido. Realizaste
proezas extraordinárias, expulsando nações e seus deuses na ocasião em que
tiraste o teu povo do Egito. Separaste um povo para ti, o povo de Israel, que
será teu para sempre. E tu, ó Eterno, te fizeste Yaohuh deles.
“Agora, Yaohuh Eterno, confirma para sempre o que prometeste para mim e
25-27
minha família! Cumpra tua promessa! Assim, tua fama sempre aumentará
quando as pessoas disserem: ‘O Senhor dos Exércitos de Anjos é o Yaohuh de
lsrael!’. E a descendência de teu servo Davi permanecerá inabalável e segura
na tua presença, porque tu, Senhor dos Exércitos de Anjos e Yaohuh de Israel,
me disseste com todas as letras: ‘Eu mesmo vou fundar uma dinastia para
você’. Foi por isso que tive a coragem de fazer esta oração.
“Assim, Senhor Eterno, sendo o Yaohuh que és, fazendo essas promessas e
28-29
tendo dito essas belas palavras a mim, peço-te mais uma coisa: Abençoa a
minha família. Protege-a sempre. Sei que já prometeste isso, Senhor Eterno!
Que a tua bênção esteja sobre minha família para sempre!”
8:
1
Depois disso, Davi derrotou os filisteus. Ele oí subjugou e assumiu o controle da
região.
2
Ele também lutou e derrotou Moabe. Escolheu, aleatoriamente, dois terços
deles e os executou, Mas preservou a vida de um terço, que teve de se
submeter ao domínio de Davi e pagar impostos a ele.
3-4
Davi derrotou Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando ele procurava
restaurar sua soberania na região do rio Eufrates. Davi confiscou mil carros de
guerra de Hadadezer e capturou sete mil cavaleiros e vinte mil soldados de
infantaria. Ele aleijou os cavalos que puxavam os carros de guerra, preservando
apenas cem deles.
5-6
Os arameus de Damasco vieram ajudar Hadadezer, mas Davi matou vinte e
dois mil deles e estabeleceu o controle militar sobre o reino arameu de
Damasco. Os arameus sujeitaram-se a Davi e foram forçados a pagar imposto a
ele. O Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele fosse.
7-8
Davi tomou os escudos de ouro que pertenciam aos oficiais de Hadadezer e os
trouxe para Jerusalém. De Tebá e Berotai, cidades de Hadadezer, trouxe
grande quantidade de bronze.
9-12
Quando Toú, rei de Hamate, soube que Davi tinha derrotado todo o exército de
Hadadezer, mandou seu filho Jorão para o cumprimentar pela vitória, pois Toú e
Hadadezer eram inimigos de longa data. Ele trouxe prata, ouro e bronze como
presente. O rei Davi os consagrou junto com a prata e o ouro trazidos das

outras nações que havia derrotado — arameus, moabitas, amonitas, filisteus e
amalequitas — e com o despojo de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.
13-14 Davi construiu um monumento para celebrar a vitória sobre os arameus. Abisai,
filho se Zeruia, lutou e derrotou os edomitas no vale do Sal. Depois de derrotar
os arameus, Davi ficou ainda mais famoso, por ter matado dezoito mil soldados.
Davi estabeleceu controle militar sobre Edom: assim, os edomitas foram
subjugados por ele. O Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele
fosse.
15
Assim, Davi reinava sobre todo o Israel. Ele era correto e imparcial em todos os
seus negócios e relacionamentos.
16
Joabe, filho de Zeruia, era comandante do exército; Josafá, filho de Ailude era
arquivista;
17
Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes;
Seraías era secretário;
18
Benaia, filho de Joiada, era chefe dos queretitas e dos peletitas e os filhos de
Davi eram sacerdotes.


MEFIBOSETE É RECEBIDO PELO REI


Certo dia, Davi procurou saber: “Ainda existe alguém da família de Saul? Se
9:
1
houver, gostaria de fazer algo por ele, por respeito a Jônatas”.
2
Havia um antigo escrava da família de Saul, chamado Ziba. Ele foi levado à
presença de Davi. O rei perguntou: “Você é Ziba?” Ele respondeu: “Sou, meu
senhor”.
O rei perguntou: “Ainda existe alguém da família de Saul por quem eu possa
3
fazer alguma coisa?” Ziba disse ao rei: “Sim. O filho de Jônatas, aleijado dos
dois pés, está vivo.”
“Onde ele está?”, perguntou o rei. Ziba respondeu: “Ele vive na casa de Maquir,
4
filho de Amiel, em Lo-Debar”.
5
O rei não perdeu tempo. Mandou buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel,
em Lo-Debar.
6
Mefibosete, filho de Jônatas e neto de Saul, apresentou-se a Davi e prostrou-se
com o rosto em terra, por respeito ao rei; Davi perguntou: “Você é Mefibosete?”
Ele respondeu: “Sim, senhor”.
Davi o tranquilizou: “Não tenha medo. Eu gostaria de ajudar você, em honra da
7
memória de seu pai, Jônatas. Para começar, vou devolver a você todas as
propriedades de seu avô, Saul. Além do mais, de hoje em diante, você
participará de todas as refeições comigo, à minha mesa”.
Prostrando-se, sem olhar para o rei, Mefibosete disse: “Quem sou eu para
8
merecer sua atenção: um cão morto como eu?”
Davi mandou chamar Ziba, o homem de confiança de Saul, e disse: “Estou
9-10
entregando tudo que pertenceu a Saul e à família dele ao neto do seu senhor.
Você, seus filhos e seus escravos cultivarão as terras dele e trarão a produção
para Mefibosete. Ele vai viver disso. O próprio Mefibosete, neto de seu senhor,
de hoje em diante, participará de todas as refeições comigo, à minha mesa”.
Ziba tinha quinze filhos e vinte escravos.
11-12 Ziba respondeu: “Tudo que o meu senhor, o rei, ordenar ao seu servo,
certamente o seu servo fará”. A partir daquele dia, Mefibosete comia com Davi à
mesa, como membro da família real. Mefibosete também tinha um filho
pequeno, chamado Mica. Toda a família de Ziba passou a servir Mefibosete.
13
Mefibosete viveu em Jerusalém, participando todos os dias da mesa do rei. Ele
era aleijado de ambos os pés.
10:
1-2
Algum tempo depois, o rei dos amonitas morreu, e Hanum, seu filho, o sucedeu
no trono. Davi disse: “Quero demonstrar minha boa vontade para com Hanum,
filho de Naás. Quero tratá-lo da mesma forma com que seu pai me tratou”.
Assim, Davi mandou condolências a Hanum pela morte de seu pai.
2-3
Mas, quando os enviados de Davi chegaram ao território dos amonitas, os
líderes da nação alertaram Hanum, chefe deles: “Você acha que Davi quer
mesmo prestar respeito a seu pai, enviando suas condolências? Não acha que
ele mandou esses emissários para espionar a cidade e conquistá-la?”

4
Hanum mandou prender os enviados de Davi, rapou a cabeça e rasgou as
roupas deles pela metade, até a altura das nádegas, e os mandou embora.
5
Contaram a Davi o que tinha acontecido, e ele mandou alguém ao encontro
deles, pois tinham sido muito humilhados. O rei mandou dizer a eles:
“Permaneçam em Jericó até a barba crescer de novo. Depois, voltem para cá”.
6
Quando os amonitas perceberam que Davi passou a considerá-los inimigos,
contrataram vinte mil soldados de infantaria dos arameus de Bete-Reobe e
Zobá, dez mil homens do rei Maaca e doze mil de Tobe.
7
Ao saber disso, Davi mandou que Joabe, com os seus soldados mais bem
preparados, os atacasse sem piedade.
8-12
Os amonitas saíram e se prepararam para a batalha na entrada da cidade. Os
arameus de Zobá e de Reobe e os homens de Tobe e de Maaca se
posicionaram em campo aberto. Quando Joabe percebeu que precisava lutar
em duas frentes, por trás e pela frente, designou és melhores soldados de Israel
para enfrentar os arameus. O restante do exército foi posto sob o comando de
seu irmão Abisai. Sua missão era enfrentar os amonitas. Joabe disse: “Se os
arameus forem muito numerosos para mim, venha me ajudar. Mas, se os
amonitas forem muito numerosos para você, eu irei ajudar. Agora, coragem!
Lutaremos com todas as forças pelo nosso povo e por todas as cidades do
nosso Yaohuh. O Eterno fará o que for preciso!”.
13-14 Mas, quando Joabe e seus soldados começaram a luta, os arameus fugiram.
Os amonitas, vendo os arameus fugindo, também abandonaram o confronto
com Abisai e correram para dentro da cidade. Joabe suspendeu a batalha
contra os amonitas e voltou para Jerusalém.
15-17 Quando viram que tinham sido derrotados por Israel, os arameus se
reorganizaram. Hadadezer mandou chamar os arameus do outro lado do
Eufrates. Eles vieram até Helã, sob o comando de Soboque, comandante do
exército de Hadadezer. Tudo isso foi relatado a Davi.
17-19 Davi reuniu Israel, atravessou o Jordão e chegou a Helã. Os arameus se
puseram em formação de batalha para enfrentar Davi. O combate se
intensificou, mas os arameus outra vez tiveram de fugir de Israel. Davi matou
setecentos condutores de carros e quarenta mil cavaleiros. Feriu gravemente
Soboque, o comandante do exército, que morreu na batalha. Quando os reis
vassalos de Hadadezer se viram derrotados por Israel, acenaram com a paz e
se submeteram ao domínio de Israel. Depois disso, os arameus não tiveram
mais coragem de ajudar os amonitas.



O PECADO DE DAVI E A TRISTEZA PELO PECADO


11:
1
Um ano depois, na época em que os reis tinham o hábito de sair à guerra, Davi
enviou Joabe, seus oficiais e todo o Israel com a missão de eliminar de uma vez
por todas os amonitas. Eles cercaram Rabá, mas, dessa vez, Davi permaneceu
em Jerusalém.
2-5
Certo dia, Davi levantou-se do seu descanso da tarde e foi passear no terraço
do palácio. De onde estava, ele viu uma mulher tomando banho, e ela era muito
bonita. Davi procurou saber quem era. Alguém disse: “É Bate-Seba, filha de
Eliã, mulher do hitita Urias”. Davi ordenou que a trouxessem. Quando a mulher
chegou, ele se deitou com ela. Isso aconteceu na época da purificação, depois
da menstruação dela. Ela voltou para casa e, algum tempo depois, descobriu
que estava grávida. Bate-Seba mandou o seguinte recado a Davi: “Estou
grávida”.
Davi mandou dizer a Joabe: “Traga aqui Urias, o hitita”. Joabe o enviou.
6
7-8
Quando ele chegou, Davi quis saber notícias da batalha, como estavam Joabe,
as tropas e o combate. Depois, disse a Urias: “Volte para casa, tome um banho
relaxante e tenha uma boa noite de sono”.
8-9
Depois que Urias saiu do palácio, o rei designou um informante para segui-lo.
Urias não voltou para casa. Naquela noite, ele dormiu na entrada do palácio, no
qual ficavam os criados do rei.
10
Davi foi informado de que Urias não tinha voltado para casa. Ele perguntou ao
hitita: “Você não acabou de voltar de uma longa viagem? Por que não voltou
para casa?”.

Urias respondeu a Davi: “A arca está na tenda com os combatentes de Israel e
11
Judá. O meu senhor Joabe e seus servos estão tendo dificuldades no campo.
Como eu iria para casa comer, beber e dormir com minha mulher? Jamais
poderia fazer isso!”.
Davi respondeu: “Tudo bem. Faça como quiser. Fique hoje aqui, e o mandarei
12-13
de volta amanhã”. Urias ficou em Jerusalém o restante do dia. — No dia
seguinte, Davi o convidou para comer e beber com ele e fez que ele se
embriagasse. Mas à noite, mais uma vez, Urias dormiu onde ficavam os criados
do rei e não voltou para casa.
14-15
De manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe, a ser entregue em mãos por
Urias. Na carta, dizia: “Ponha Urias na linha de frente, na qual o combate é mais
intenso. Depois, retroceda a tropa e deixe-o exposto, para que ele seja morto”.
16-17
Joabe, mantendo o cerco em torno da cidade, pôs Urias no local em que o
inimigo estava atacando com maior ímpeto. Quando os defensores da cidade
saíram para atacar Joabe, alguns dos soldados de Davi foram mortos: — entre
eles, Urias, o hitita.
Joabe mandou um relatório a Davi. Ele disse ao mensageiro: “Depois de contar
18-21
tudo em detalhes ao rei, se ele ficar furioso, diga: ‘Além disso, seu servo Urias,
o hitita, morreu”.
22-24
O mensageiro de Joabe chegou a Jerusalém e deu um relatório completo ao rei.
Ele disse: “O inimigo era muito mais forte do que nós. Eles avançaram contra
nós em campo aberto, e nós os pressionamos de volta para dentro dos muros
da cidade. Mas, depois, eles lançaram flechas pesadas contra nós do muro da
cidade, e dezoito soldados do rei morreram”.
25
Quando o mensageiro terminou o relato, Davi ficou furioso com Joabe e
descarregou sua raiva no mensageiro: “Por que vocês chegaram tão perto da
cidade? Não sabiam que poderiam ser atacados do muro? Não se lembraram
de como Abimeleque, filho de Jerubesete, foi morto em Tebes? Uma mulher
jogou uma pedra de moinho do alto do muro e esmagou a cabeça dele. Por que
chegaram tão perto do muro?” O mensageiro de Joabe disse: “Aliás, seu servo
Urias, o hitita, morreu”. Então, Davi disse ao mensageiro: “Entendo. Diga a
Joabe: ‘Não se preocupe com isso. A guerra é assim mesmo, às vezes mata
um, às vezes mata outro. Nunca se sabe quem será o próximo. Reforce o
ataque contra a cidade até destruí-la’. Trate de encorajar Joabe”.
26-27
Quando a esposa de Urias soube que o marido estava morto, chorou por ele.
Depois de passado o luto, Davi mandou chamá-la para o palácio. Ela se tornou
sua mulher e deu à luz um filho.
12:
27-3
Mas o Eterno não se agradou do comportamento de Davi; por isso, enviou Natã,
que contou esta história ao rei: “Havia dois homens numa cidade. Um era rico, e
o outro, pobre. O rico tinha um enorme rebanho de ovelhas e bois; o pobre,
apenas uma cordeirinha; que tinha comprado e criado. Ela cresceu com ele e
seus filhos, como um membro da família. Ela comia do prato dele, bebia do seu
copo e dormia em sua cama. Era como uma filha para ele.
“Certo dia um viajante apareceu na casa do rico. Ele era muito avarento e, não
4
querendo matar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para alimentar o
visitante, pegou a cordeirinha do pobre, preparou a refeição com ela e ofereceu
ao seu hóspede”.
Davi ficou furioso. Disse a Natã: “Assim como vive o Eterno, o homem que fez
5-6
isso tem de morrer! E deve pagar quatro vezes o valor da cordeirinha, por causa
do seu crime e da sua avareza!”
Natã respondeu: “Você é esse homem! E o Eterno, o Yaohuh de Israel, manda
7-12
dizer: ‘Eu ungi você rei sobre Israel. Eu o livrei das mãos de Saul. Dei a você
casa e a filha de seu senhor e outras mulheres que podia ter em seus braços.
Dei Israel e Judá a você. E, como se não bastasse, daria a você muito mais.
Então, por que você desprezou a palavra do Eterno, cometendo tamanho erro?
Você assassinou Urias, o hitita, e tomou a mulher dele. Pior, você o matou com
a espada dos amonitas! Agora, já que você desprezou o Eterno e tomou a
mulher de Urias, o hitita, para ser sua mulher, sua família irá conviver sempre
com morte e assassinato. É o Eterno quem está dizendo! A sua desgraça virá
da sua família. Tomarei as suas mulheres à sua vista e as entregarei a seu

amigo, e ele se deitará com elas publicamente. Você cometeu esse ato em
secreto, mas isso acontecerá diante de toda a nação!’”.
Davi confessou a Natã: “De fato, pequei contra o Eterno!”. Natã declarou: “É
13-14
verdade, mas essa não é a palavra final. O Eterno perdoa você. Você não
morrerá. Mas, por ter ofendido o Eterno, seu filho morrerá”.
15-18
Depois que Natã voltou para casa, o Eterno afligiu o filho de Davi que a mulher
de Urias deu à luz, e o menino ficou muito doente. Davi orou desesperadamente
a Yaohuh pelo menino. Ele jejuou, não saía do palácio e dormia no chão. Os
oficiais do palácio tentavam tirá-lo do chão, mas ele não cedia nem se levantava
para comer com eles. Sete dias depois, a criança morreu. Os criados ficaram
com medo de dar a notícia a ele. Diziam: “O que faremos agora? Enquanto a
criança estava viva, ele não dava ouvido ao que dizíamos. Agora que a criança
morreu, se dissermos alguma coisa, não se sabe o que ele poderá fazer”.
19
Davi percebeu que os criados estavam cochichando e imaginou que o menino
tivesse morrido. Ele perguntou: “O menino morreu?”. Eles responderam: “Sim,
morreu”.
20
Davi se levantou do chão, lavou o rosto, arrumou o cabelo, trocou de roupa e foi
ao santuário adorar ao Eterno. Depois, voltou para o palácio e pediu algo para
comer. Puseram a comida diante dele, e ele comeu tudo.
Os criados perguntaram: “O que está acontecendo com o senhor? Enquanto a
21
criança estava viva, o senhor jejuou, chorou e ficou acordado a noite toda.
Agora que o menino morreu, o senhor se levanta e come!?”.
Ele respondeu: “Enquanto a criança estava viva, chorei e jejuei, pensando que,
22-23
talvez, o Eterno tivesse misericórdia de mim, e a criança sobrevivesse. Mas
agora que ela morreu, por que jejuar? Posso trazê-la de volta? Posso ir me
encontrar com ela, mas ela não pode vir a mim”.
24-25
Davi foi consolar sua mulher, Bate-Seba. E, depois de se deitar com ela, ela
engravidou outra vez. Nasceu um menino, e deram a ele o nome de Salomão.
O Eterno o amou e enviou uma mensagem por intermédio de Natã: o menino
deveria ser chamado Jedidias (Amado do Eterno). Ill
26-30
Na guerra contra os amonitas em Rabá, Joabe conquistou a cidade real. Ele
mandou mensageiros a Davi, dizendo: “Estou atacando Rabá e acabei de
controlar o reservatório de água da cidade. Reúna o restante das tropas,
acampem-se perto da cidade e conquiste você mesmo a cidade. Do contrário,
eu a conquistarei e receberei as honras por isso”. Então, Davi conduziu as
tropas até Rabá, lutou e conquistou a cidade. Ele pegou a coroa do rei dá
cidade, que pesava muito por causa do ouro e das pedras preciosas. Puseram
a coroa na cabeça de Davi e saquearam a cidade, carregando tudo que era de
valor.
31
Davi tirou todos os habitantes da cidade e os submeteu a trabalhos forçados
com serras, picaretas e machados e na fabricação de tijolos: Ele fez o mesmo
com todas as cidades dos amonitas. Depois, voltou com todo o exército para
Jerusalém.
13:
1-4
Algum tempo se passou. Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã muito atraente,
chamada Tamar. Amnom, que também era filho de Davi, se apaixonou por ela.
Ficou obcecado pela irmã a ponto de adoecer: Ela era virgem, e ele não sabia
como se aproximar dela. Amnom tinha um amigo, Jonadabe, filho de Simeia,
irmão de Davi, e ele era muito astuto. Ele perguntou a Amnom: “Por que você
está definhando dia a dia, filho do rei? Não vai me dizer o que o perturba?”
Amnom respondeu: “É Tamar, irmã do meu irmão Absalão. Estou apaixonado
por ela".
Jonadabe sugeriu: “Faça o seguinte: vá para cama e finja estar doente. Quando
5
seu pai vier visitá-lo, peça a ele: ‘Mande minha irmã Tamar preparar uma
comida para mim e me servir, mas ela deve prepará-la aqui, onde eu possa vê-
la’".
6
Amnom foi para a cama e fingiu estar doente. Quando o rei foi visitá-lo, Amnom
pediu: “Mande minha irmã Tamar preparar alguns bolos aqui onde eu possa vê-
la e ser servido por ela”,
Davi mandou o recado para Tamar, que estava em casa naqueles dias: “Vá à
7
casa de seu irmão Amnom e prepare algo para ele comer”.

8-9
Tamar foi para a casa de seu irmão Amnom, na qual ele estava deitado. Ela fez
a massa, preparou os bolos e os assou, enquanto ele a observava de sua
cama. Mas, quando ela trouxe a assadeira para servi-lo, ele não quis comer.
Amnom disse: “Mande que todos saiam da casa”. Depois que todos saíram, ele
9-11
disse a Tamar: “Traga a comida ao meu quarto no qual podemos comer com
privacidade”. Ela levou os bolos que tinha preparado para o quarto de seu
irmão. Mas, quando ela estava pronta para servi-lo, ele a agarrou e disse:
“Venha para cama comigo, irmã!”.
Ela disse: “Não, meu irmão! Não me violente. Isso não se faz em Israel. Não
12-13
faça essa loucura! Onde eu me esconderia depois? E você cairia em desgraça.
Por favor, peça permissão ao rei! Ele permitirá que eu me case com você”.
14
Mas ele não quis saber. Era mais forte que ela; por isso, a estuprou.
15
Imediatamente, Amnom começou a sentir aversão por ela, mais intensa que o
amor que tinha antes. Ele disse: “Levante-se! Saia daqui!”.
Mas ela disse: “Não, meu irmão! Por favor! Isso é pior do que o que você
16-18
acabou de fazer comigo!” Mas ele não quis saber. Chamou seu criado e
ordenou: “Leve esta mulher embora e tranque a porta depois que ela sair!”. O
criado a mandou embora e trancou a porta.
18-19
Ela vestia uma túnica de manga comprida, pois era assim que as princesas
virgens se vestiam na adolescência. Tamar jogou cinzas sobre a cabeça,
rasgou a túnica, escondeu o resto com as mãos e saiu chorando.
Seu irmão Absalão perguntou: “O que houve? Amnom abusou dê você? Deixa,
20
minha irmã, não conte nada a ninguém. Ele é seu irmão. Não se incomode com
isso”. Tamar, muito traumatizada, foi morar na casa de Absalão.
21-22
O rei Davi soube de tudo que aconteceu e ficou furioso, mas não repreendeu
Amnom. Davi o amava muito, porque era o primogênito. Absalão não dirigiu
mais a palavra a Amnom, nem boa nem ruim. Passou a odiá-lo depois que ele
abusou de sua irmã Tamar.
23-24
Dois anos se passaram. Certo dia, Absalão tosquiava ovelhas em Baal-Hazor,
perto do território de Efraim, e convidou todos os filhos do rei para festejar.
Convidou também o rei, dizendo: “Estou tosquiando ovelhas e quero que venha
com seus criados”.
Mas o rei disse: “Não meu filho. Desta vez, não posso nem poderia levar toda a
25
família. Seria muita gente para você”. Apesar de Absalão insistir, Davi não
aceitou, mas deu ao filho sua bênção.
Absalão disse: “Se você não vier, deixe meu irmão Amnom vir”. O rei perguntou:
26-27
“Por que ele precisar ir?” Absalão tanto insistiu que o rei concordou e permitiu
que Amnom e os demais filhos do rei fossem festejar com ele.
28
Absalão preparou um banquete à altura do rei e orientou os seus criados:
“Fiquem atentos. Quando Amnom tiver bebido bastante e estiver alegre, e eu
disser: ‘Matem Amnom!’, vocês o matarão sem piedade. Não tenham medo. A
responsabilidade é minha. Coragem! Vocês vão conseguir!”.
29-31
Os criados de Absalão fizeram a Amnom exatamente o que o seu senhor tinha
determinado. Os outros filhos do rei, assustados, montaram em suas mulas e
sumiram. Estavam ainda a caminho quando o rei ouviu os rumores: “Absalão
acabou de matar todos os filhos do rei. Não sobrou nenhum!”. O rei
imediatamente rasgou as próprias roupas e jogou-se ao chão. Todos os que
presenciaram a cena fizeram o mesmo.
32-33
Nesse momento, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, chegou e explicou:
“Meu senhor não precisa se preocupar, pois todos os filhos do rei estão vivos.
Apenas Amnom foi morto. Isso aconteceu porque Absalão estava furioso desde
que Amnom abusou de sua irmã Tamar. Então, meu senhor, o rei não precisa
imaginar o pior, achando que todos os seus filhos morreram. Repito: apenas
Amnom morreu”.
34
Depois disso, Absalão fugiu. Naquele momento, a sentinela viu uma nuvem de
poeira subindo da estrada de Horonaim, na encosta da montanha. Ele contou
ao rei: “Acabei de ver um grupo na estrada de Horonaim, em torno da
montanha”.
Então, Jonadabe disse ao rei: “Veja! São os filhos do rei voltando, como eu
35-37
disse!”. Logo que ele terminou de falar, os filhos do rei entraram, chorando

desesperadamente! O rei e todos os seus criados se juntaram a eles e
choraram muito. Davi ficou de luto muito tempo pela morte de seu filho.
37-39
Depois de fugir, Absalão pediu asilo a Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur.
Ficou ali três anos. O rei, finalmente, desistiu de perseguir Absalão, pois já tinha
se consolado pela morte de Amnom.
14:
1-3
Joabe, filho de Zeruia, sabia que o rei, no fundo, ainda se importava com
Absalão. Por isso, mandou buscar uma mulher sábia que vivia em Tecoa e a
instruiu, dizendo: “Finja que está de luto. Use roupas pretas e não arrume o
cabelo, para dar a ideia de que você está, há muito tempo, de luto por algum
ente querido. Depois, vá falar com o rei”. Joabe a instruiu sobre o que dizer.
4
A mulher foi à presença do rei, prostrou-se respeitosamente diante dele e disse:
“Ó rei, ajude-me!”.
Ele perguntou: “Como posso ajudar?”.
5
Ela disse: “Sou viúva. Meu marido morreu. Eu tinha dois filhos, e, um dia, os
6
dois brigaram na fazenda, e não tinha ninguém perto para apartar a briga. Um
deles feriu o outro, e ele morreu. Depois, toda a família ficou contra mim,
exigindo que eu entregasse o assassino para que eles o executassem por
causa do irmão que ele tinha matado. Eles querem eliminar o herdeiro e apagar
a última centelha de vida que tenho. Se isso acontecer, não restará nada de
meu marido sobre a terra, nem sequer seu nome.
“Por isso, tive ousadia de vir falar com o rei, o meu senhor, sobre essa questão.
7
Eles estão destruindo a minha vida, e estou com medo. Pensei comigo mesma:
‘Vou falar com o rei. Talvez ele faça alguma coisa! Quando o rei souber o que
está acontecendo, ele intervirá e me salvará do abuso daquele que está
querendo se livrar de mim, de meu filho e da herança de Yaohuh’. Como sua
serva, decidi: O que o rei, o meu senhor, decidir encerrará o assunto, pois o
meu senhor é como um anjo de Yaohuh, que sabe discernir entre o bem e o
mal. Que o Eterno seja com o senhor!”.
O rei disse: “Volte para casa. Vou cuidar disso para você”.
8
A mulher de Tecoa disse: “Assumo toda a responsabilidade pelo que acontecer.
9
Não quero constranger o rei nem manchar sua reputação”.
O rei prosseguiu: “Traga o homem que está perturbando você. Vou fazer que
10
ele pare de incomodar”.
A mulher respondeu: “Invoque o rei o nome do Eterno, para que esse vingador
11
não acabe com tudo, matando meu outro filho”. Ele disse: “Assim como vive o
Eterno, nem um fio de cabelo cairá da cabeça de seu filho”.
Ela também perguntou: “Posso pedir mais uma coisa ao meu senhor?” Ele
12
respondeu: “Certamente!”
A mulher disse: “Por que, então, o rei faz exatamente isso com o povo de
13-17
Yaohuh? Com esse veredito, o rei condena a si mesmo, pois não deixou voltar
seu filho exilado. Todos nós vamos morrer, um dia. A água derramada não pode
ser juntada novamente. Mas Yaohuh não tira a vida. Ele faz que o exilado possa
voltar”.
O rei disse: “Vou fazer uma pergunta. Peço que me responda com sinceridade”.
18
Ela respondeu: “Com certeza. Que o rei fale”.
O rei prosseguiu: “Joabe tem alguma coisa a ver com isso?” A mulher
19-20
respondeu: “Por sua vida, ó rei, meu senhor, ninguém pode escapar, desviando-
se para direita ou para esquerda na presença do rei! Sim. Foi o seu servo Joabe
que armou tudo isso e pôs as palavras em meus lábios. Ele fez isso porque
queria resolver o assunto. Mas o meu senhor é sábio como um anjo de Yaohuh.
Sabe como resolver as coisas na terra”.
Depois disso, o rei disse a Joabe: “Tudo bem! Farei isso. Traga de volta o jovem
21
Absalão”.
Joabe prostrou-se em profunda reverência e bendisse o rei: “Agora reconheço
22
que ainda conto com o favor e a confiança do rei, pois o senhor aceitou o
conselho do seu servo”.
23-24
Joabe se levantou, foi a Gesur e trouxe Absalão de volta para Jerusalém. O rei
determinou: “Ele pode voltar para casa, mas não poderá comparecer à minha
presença”. Assim, Absalão voltou para casa, mas não tinha permissão para ver
o rei.

25-27 Em todo o Israel, não havia homem tão elogiado pela sua beleza quanto
Absalão. De cima a baixo, não havia nele nenhum defeito. Quando cortava o
cabelo (ele sempre cortava bem curto, na primavera, porque ficava muito
pesado), o peso era de dois quilos e quatrocentos gramas. Absalão teve dois
filhos e uma filha. Ela se chamava Tamar e era muito bonita.
28-31 Absalão viveu dois anos em Jerusalém, mas não podia ver seu pai, Davi. Certa
vez, ele pediu a Joabe autorização para ver o rei, mas Joabe não autorizou.
Tentou de novo, e Joabe se negou a dar permissão. Então, disse a seus
criados: “Prestem atenção! A fazenda de Joabe fica ao lado da minha, e ele
plantou cevada. Vão lá e ateiem fogo na plantação". Os criados de Absalão
fizeram o que ele mandou e puseram fogo na plantação. Deu certo. Não
demorou, e Joabe apareceu na casa de Absalão, perguntando: “Por que seu
pessoal queimou minha plantação?”.
Absalão respondeu: “Veja, mandei chamar você, dizendo: ‘Venha depressa.
32
Quero que você vá ao rei e pergunte a ele: Por que você me trouxe de volta de
Gesur? Seria melhor ter ficado lá! Permita que eu compareça à presença do rei.
Se ele me considerar culpado, que mande me matar'".
33
Joabe apresentou a questão ao rei, e Absalão foi chamado. Ele entrou na
presença do rei, prostrou-se em reverência diante dele, e o rei beijou Absalão.
15:
1-2
Com o passar do tempo, Absalão adquiriu um carro, cavalos e cinquenta
guarda-costas. Toda manhã, ele se posicionava na estrada perto da entrada da
cidade. Sempre que alguém aparecia com uma questão para o rei resolver,
Absalão o chamava e dizia: “De onde você vem?” A pessoa respondia: “Sou de
tal tribo de Israel".
Então, Absalão dizia: “Sua causa é justa, mas o rei não dará atenção”. E dizia
3-6
ainda: “Por que ninguém me constitui juiz desta nação? Qualquer pessoa
poderia trazer sua causa, e eu a resolveria de maneira justa e transparente”.
Sempre que alguém o tratava com reverência, ele não se afetava, tratava a
pessoa como igual, com abraço e beijo. Absalão fazia isso com todos que
vinham tratar de algum assunto com o rei e conquistou a simpatia de todos em
Israel.
Passados quatro anos, Absalão foi falar com o rei: “Permita que eu vá a
7-8
Hebrom cumprir um voto que fiz ao Eterno. Quando morava em Gesur, em Arã,
seu servo fez este voto: ‘Se o Eterno me levar de volta a Jerusalém, prestarei
culto ao Eterno’”.
O rei respondeu: “Vá com a minha bênção”. Logo depois, Absalão partiu para
9
Hebrom.
10-12 Mas, nesse meio-tempo, Absalão tinha enviado, em segredo, mensageiros por
todas as tribos de Israel com esta mensagem: “Quando vocês ouvirem o som
de trombetas, gritem: Absalão é rei em Hebrom!’”. Duzentos homens de
Jerusalém acompanharam Absalão. Mas tinham sido convocados sem saber de
nada, agiam na inocência. Enquanto oferecia sacrifícios, Absalão conseguiu
envolver Aitofel, de Gilo, conselheiro de Davi, e tirá-lo de sua cidade. A
conspiração tomou força, e o número dos seguidores de Absalão aumentou.
Alguém veio dizer a Davi: “Toda a nação está seguindo Absalão!”
13
14
Davi convocou todos os que eram leais a ele em Jerusalém e disse:
“Precisamos sair daqui, do contrário, ninguém escapará de Absalão! Vamos
depressa! Ele está a ponto de atacar a cidade para nos matar!”.
Os partidários do rei disseram: “O que o rei, o nosso senhor, determinar,
15
faremos. Estamos com o senhor até o fim!”
16-18 Então, o rei e toda a sua família fugiram a pé. Ele deixou dez concubinas
cuidando do palácio. Assim, devagar, todos saíram e pararam na última casa da
cidade. Todos os soldados desfilaram diante dele, todos os queretitas, os
peletitas e os seiscentos que tinham vindo com ele de Gate.
19-20 O rei chamou Itai, de Gate, e disse: “O que você está fazendo aqui? Volte para
o rei Absalão. Você é estrangeiro aqui e recém-chegado de seu país. Eu não
arriscaria levar você, uma vez que eu mesmo não tenho lugar certo para ficar.
Volte e leve sua família com você. Que a bondade e a fidelidade do Eterno
estejam com você!”.

Mas Itai insistiu: “Assim como vive o Eterno e me o rei, meu senhor, onde meu
21
senhor estiver, lá estarei também, seja para a vida, seja para a morte”.
Davi concordou: “Tudo bem. Vamos, então! " E foram todos, Itai, de Gate, com
22
todos os seus homens e todas as crianças que estavam com ele.
23-24
Todo o povo chorava, vendo o grupo passar. Quando o rei atravessou o vale do
Cedrom, o exército tomou a estrada para o deserto. Zadoque também estava lá,
e os levitas estavam com ele, carregando a arca da aliança de Yaohuh. Eles
puseram a arca de Yaohuh no chão, e Abiatar ficou ali até que todos deixaram a
cidade.
Então, o rei deu ordens a Zadoque: “Leve a arca de volta para a cidade. Se o
25-26
Eterno for bondoso para comigo, ele me trará de volta e me mostrará o lugar em
que a arca estiver. Mas, se disser: ‘Não estou contente com você, então, ele
poderá fazer comigo o que quiser”.
O rei orientou o sacerdote Zadoque: “Este é o plano: Volte para a cidade
27-30
pacificamente, levando seu filho Aimaás e Jônatas, filho de Abiatar. Ficarei
esperando num lugar no deserto, do outro lado do rio, até você me mandar
notícias”. Assim, Zadoque e Abiatar levaram a arca de Yaohuh de volta para
Jerusalém e a deixaram lá, enquanto Davi subiu ao monte das Oliveiras,
chorando, caminhando com a cabeça coberta e os pés descalços.
Disseram a Davi: “Aitofel se juntou aos conspiradores com Absalão”. Ele orou:
31
“Ó Eterno, que os conselhos de Aitofel sejam insensatos”.
32-36
Quando Davi se aproximava do topo da montanha, na qual se costumava
adorar a Yaohuh, o arquita Husai, com roupas rasgadas e terra sobre a cabeça,
estava aguardando. Davi disse: “Se você vier comigo, será mais um peso na
bagagem. Volte para a cidade e diga a Absalão: ‘Estou pronto para servir a
você, ó rei. Fui servo de seu pai, agora sou seu servo'. Fazendo isso, você
confundirá os conselhos de Aitofel por mim. Os sacerdotes Zadoque e Abiatar já
estão lá. Conte a eles tudo que você ficar sabendo no palácio. Os dois filhos
deles, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar, estão com eles.
Qualquer coisa que você souber poderá ser trazida a mim por intermédio deles".
37
Husai, amigo de Davi, chegou a Jerusalém no momento em que Absalão
entrava na cidade.
16:
1
Logo que Davi atravessou o cume da montanha, ele encontrou Ziba, criado de
Mefibosete, com dois jumentos carregados com duzentos pães, cem bolos de
passas, cem cestas de frutas frescas e uma vasilha de couro de vinho
O rei disse a Ziba: “Para que tudo isso?”. Ziba respondeu: “Os jumentos são
2-3
para a família do rei montar, os pães e as frutas são para alimentar os que o
acompanham, e o vinho é para os que estão cansados de andar no deserto”. O
rei perguntou: “E onde está o neto do seu senhor?” Ziba respondeu: “Ele ficou
em Jerusalém, mas mandou este recado: 'Este é o dia que Israel restituirá a
mim o reino do meu avô.
Davi respondeu: “Tudo que pertenceu a Mefibosete agora pertence a você”.
4
Ziba disse: “Como poderia agradecer por isso? Serei eternamente devedor de
meu senhor e rei. Que eu nunca decepcione o senhor!”.
54
Quando o rei chegou a Baurim, apareceu um homem que tinha ligações com a
família de Saul. Seu nome era Simei, filho de Gera. Ele os seguia insultando e
jogando pedras contra Davi e seus companheiros, criados e soldados. Além dos
insultos, ele o amaldiçoava, aos gritos: “Fora! Fora! Assassino! Sanguinário! O
Eterno está castigando você por todos os crimes que cometeu contra a família
de Saul e por tomar o reino dele. O Eterno já entregou o reino a seu filho
Absalão. Olhe para você mesmo: um homem derrotado! Porque não passa de
um criminoso!”
Abisai, filho de Zeruia, disse: “Esse cão morto não pode amaldiçoar o meu
9
senhor, o rei, dessa maneira. É só mandar que eu corto a cabeça dele!”.
Mas o rei disse: “Por que vocês, filhos de Zeruia, estão sempre interferindo e
10
me atrapalhando? Se ele está amaldiçoando é porque o Eterno mandou:
Amaldiçoe Davi’. Quem vai contrariá-lo?”
Davi prosseguiu, dirigindo-se a Abisai e ao restante do grupo: “Além disso, até
11-12
meu filho, minha carne e meu sangue, neste momento, está querendo a minha
morte. Esse benjamita não está fazendo nada comparado a isso. Não se

preocupem com ele. Deixem que ele amaldiçoe à vontade. O Eterno ordenou
que ele fizesse isso. Talvez o Eterno enxergue a minha aflição e transforme as
maldições em algo bom”.
13
Davi e sua comitiva seguiram caminho, enquanto Simei seguia ao longo da
encosta da montanha, amaldiçoando e jogando pedras e neles.
14
Quando chegaram ao rio Jordão, Davi e sua comitiva estavam exaustos. Por
isso, descansaram ali e renovaram suas forças.
15
Enquanto isso, Absalão e seus homens já estavam em Jerusalém. Aitofel
também estava com eles.
Logo depois, Husai, o arquita, amigo de Davi, foi cumprimentar Absalão: “Viva o
16
rei para sempre! Viva o rei para sempre!”
Absalão disse a Husai: “É assim que você mostra lealdade a um amigo? Por
17
que não está com o seu amigo, Davi?”.
Husai disse: “Porque quero estar com quem o Eterno, esse povo e todo o Israel
18-19
escolheram. Quero permanecer com ele. Além disso, quem melhor que o filho
para eu servir? Assim como servi a seu pai, estou pronto a servir ao senhor”.
Absalão disse a Aitofel: “Você está pronto para me aconselhar? O que devemos
20
fazer agora?”.
Aitofel disse a Absalão: “Deite-se com as concubinas de seu pai, aquelas que
21-22
ficaram para cuidar do palácio. Todos ficarão sabendo que o senhor desonrou
abertamente seu pai, e os que estão a seu lado se animarão”. Absalão armou
uma tenda no terraço, à vista de todos, e deitou-se com as concubinas de Davi.
23
Os conselhos de Aitofel, na época, eram considerados palavras do próprio
Yaohuh. Essa era a reputação de Aitofel com Davi; e não era diferente com
Absalão.
Em seguida, Aitofel aconselhou Absalão: “Deixe-me escolher doze mil homens
17:
1-3
e partir esta noite atrás de Davi. Vou alcançá-lo quando ele estiver exausto e
pegá-lo de surpresa. O exército fugirá, e eu matarei Davi. Então, trarei o
exército de volta para o senhor como uma noiva levada de volta ao noivo!
Afinal, o senhor está à procura de um só homem. Se ele for eliminado, a paz
estará de volta! "
4
Absalão achou que seria unia excelente estratégia, e todas as autoridades de
lsrael concordaram.
Ainda assim, Absalão ordenou: “Chame Husai, o arquita. Vamos ouvir a opinião
5
dele".
Husai chegou, e Absalão contou a ele o plano: “Esse foi o conselho de Aitofel.
6
O que acha? Devemos pô-lo em prática?”
Husai disse: “O conselho de Aitofel, neste caso, não foi bom. O senhor conhece
7-10
seu pai e os homens que estão com ele. Eles são corajosos e estão furiosos
como uma ursa de quem tiraram o filhote. Seu pai é um guerreiro experiente.
Ele não será apanhado de surpresa num momento como este. Enquanto
conversamos aqui, ele provavelmente está escondido em alguma caverna ou
em outro lugar. E, se ele atacar os seus soldados de emboscada, logo se
espalhará a notícia de que o exército de Absalão foi massacrado. Ainda que os
seus soldados sejam valentes e corajosos como leões, o moral da tropa vai
despencar com a notícia, pois todos em lsrael sabem que tipo de guerreiro é
seu pai e como são valentes os homens que estão com ele.
“O meu conselho? Reúna toda a nação, de Dã até Berseba, formando um
11-13
exército numeroso como a areia do mar, comandado pelo senhor
pessoalmente. Nós os atacaremos onde quer que estejam. Cairemos sobre eles
como o orvalho sobre a terra. Estou certo de que não vai escapar ninguém. Se
ele se refugiar em alguma cidade, o exército utilizará todas as cordas que
arranjar e arrastará tudo que estiver nessa cidade para o vale, sem deixar um
pedregulho para trás”.
14
Absalão e todas as autoridades concordaram em que o conselho de Husai era
melhor que o de Aitofel. O Eterno tinha decidido frustrar o bom conselho de
Aitofel para que Absalão fosse arruinado.
Logo depois, Husai foi contar aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Aitofel
15-16
aconselhou Absalão e as autoridades de Israel daquela maneira, mas eu
aconselhei assim. Agora, enviem, o quanto antes, esta mensagem a Davi: 'Não

passe a noite deste lado do Jordão. Atravesse imediatamente o rio. Do
contrário, o rei e todos os que estiverem com o senhor serão massacrados'”.
17-20 Jônatas e Aimaás estavam em En-Rogel aguardando o recado que seria trazido
por uma criada. Dali, eles partiriam para transmiti-lo ao rei Davi, pois não se
arriscavam a entrar na cidade. Mas um soldado os viu e contou a Absalão. Os
dois saíram correndo e se refugiaram na casa de um homem em Baurim. Ele
tinha uma cisterna no quintal, e eles se esconderam ali. A mulher cobriu a
cisterna com um tapete e espalhou grãos sobre ele, para que ninguém
percebesse nada de estranho. Logo depois, os servos de Absalão chegaram
àquela casa e perguntaram: “Você viu Aimaás e Jônatas? " A mulher
respondeu: “Eles estavam indo na direção do rio". Eles os procuraram, mas não
acharam. Então, voltaram para Jerusalém.
21
Depois que eles foram embora, Aimaás e Jônatas saíram da cisterna e foram
levar o recado a Davi: "Levante-se e atravesse o rio imediatamente. Aitofel tem
um plano contra o senhor!”.
22
Davi e seu exército não perderam tempo e se puseram a caminho,
atravessando o Jordão. Quando amanheceu, todos já tinham atravessado o
Jordão.
23
Quando Aitofel percebeu que seu conselho não seria seguido, montou em seu
jumento e partiu para sua cidade. Depois de deixar pronto o seu testamento e
de ter posto a casa em ordem, enforcou-se e, assim, morreu. Ele foi sepultado
no túmulo da família.
24-26 Enquanto Davi chegava a Maanaim, Absalão e todo o exército de Israel
atravessavam o Jordão. Absalão designou Amasa comandante do exército, no
lugar de Joabe. Amasa era filho de um homem chamado Itra, ismaelita que
tinha se casado com Abigail, filha de Naás e irmã de Zeruia, mãe de Joabe.
Absalão e o exército de Israel acamparam em Gileade.
27-29 Quando Davi chegou a Maanaim, Sobi, filho de Naás de Rabá dos amonitas, e
Maquir, filho de Amiel de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita de Rogelim, trouxeram
camas e cobertores, bacias e potes cheios de trigo, cevada, farinha, grão
tostado, feijão e lentilhas, além de mel, coalhada e queijos de ovelha e de vaca.
Entregaram tudo a Davi e seu exército, pois pensavam: “O exército deve estar
com fome, com sede e exausto no deserto”.
18:
1-2
Davi organizou seu exército. Designou capitães de mil e capitães de cem.
Depois, dividiu as tropas em três grupos. O primeiro ficou sob o comando de
Joabe; o segundo ficou com Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe; o terceiro
ficou com Itai, o giteu. O rei anunciou: “Eu também irei com vocês”.
Mas eles disseram: “Não mesmo. O senhor não pode vir conosco. Se tivermos
3
de retroceder, o inimigo não pensará duas vezes. Se metade de nós morrer, o
inimigo não se importará. Mas o senhor vale por dez mil de nós. Para nós, é
melhor que fique na cidade e nos ajude daqui”.
O rei concordou: “Se é isso que pensam, farei o que acharem melhor”. Ele se
4
instalou perto da entrada da cidade, enquanto o exército saía em pelotões de
cem e de mil.
O rei tinha recomendado a Joabe, Abisai e Itai: “Por amor a mim, tenham
5
cuidado com o jovem Absalão”. Todo o exército ouviu o que o rei ordenou aos
três comandantes com respeito a Absalão.
6-8
O exército de Davi saiu a campo para enfrentar o exército de Israel. A batalha
aconteceu na floresta de Efraim. O exército de Israel, naquele dia, foi derrotado
pelos homens de Davi. Houve terrível matança: vinte mil homens morreram! Os
combatentes se espalharam para todo lado. Naquele dia, a floresta devorou
mais vidas que a espada!
9-10
Absalão encontrou os soldados de Davi. Ele tinha certa vantagem porque
estava montado em sua mula. Mas, quando a mula passou por baixo dos
galhos de um grande carvalho, a cabeça de Absalão ficou presa no galho,
enquanto a mula seguia adiante. Ele ficou pendurado. Um soldado viu tudo e
contou a Joabe: “Acabei de ver Absalão pendurado na ramagem de um
carvalho!”.
Joabe perguntou ao soldado: “Se você viu isso, por que não o matou ali
11
mesmo? Eu teria recompensado você com dez peças de prata e um cinturão”.

12-13 O homem disse a Joabe: “Mesmo que eu ganhasse mil peças de prata, não
tocaria no filho do rei. Todos nós ouvimos a ordem que o rei deu ao senhor, a
Abisai e a Itai: ‘Por amor a mim, tenham cuidado com o jovem Absalão’. Por
que, então, arriscaria a minha vida, pois o rei ficaria sabendo, e sei que o
senhor não me defenderia!”
14-15 Joabe disse: “Não tenho tempo a perder com você!” E, com três facas,
atravessou o peito de Absalão enquanto ele ainda estava vivo, pendurado na
árvore. Nessa hora, Absalão já estava rodeado de dez escudeiros de Joabe.
Eles acabaram de matá-lo.
16-17 Em seguida, Joabe tocou a trombeta para cessar a perseguição contra o
exército de Israel. Eles levaram o corpo de Absalão e o jogaram numa enorme
vala na floresta e empilharam uma grande quantidade de pedras sobre ele.
Enquanto isso, o exército de Israel fugia, cada um correndo para sua casa.
18
Quando Absalão ainda estava vivo, ele tinha edificado para si uma coluna no
vale do Rei, dizendo: “Não tenho filho para preservar meu nome". Por isso, ele
deu seu nome à coluna. Até hoje é chamada Memorial de Absalão.
19-20 Aimaás, filho de Zadoque, disse: “Deixe-me levar ao rei a notícia de que o
Eterno o livrou dos seus inimigos”. Mas Joabe disse: “Não será você quem
levará a notícia hoje. Talvez outro dia, mas hoje a notícia não é boa, pois o filho
do rei está morto”.
Em seguida, Joabe ordenou a um etíope: “Vá você. Conte ao rei o que você
21
viu”. O etíope respondeu: “Sim, senhor! " E foi.
Aimaás, filho de Zadoque, insistia com Joabe: “Não importa. Deixe-me ir com o
22
etíope”. Joabe disse: “Para que isso? Você não terá nenhuma recompensa”.
Aimaás insistiu: “Não importa. Deixe-me ir". Joabe respondeu: “Então, está
23
bem. Vá! " Aimaás correu, pegando o caminho do vale inferior, e ultrapassou o
etíope.
24-25 Davi estava sentado entre os dois portões. A sentinela estava no alto da porta e
olhava em volta. Ele viu alguém correndo sozinho e gritou para avisar o rei. O
rei disse: “Se está sozinho, deve ser boa notícia”.
25-26 Enquanto o moço se aproximava, a sentinela viu outro correndo e gritou do alto
da porta: “Há outro correndo sozinho". O rei disse: “Esse também deve trazer
boas notícias”.
A sentinela disse: “Consigo ver o primeiro. Parece Aimaas. filho de Zadoque”. O
27
rei disse: “É boa pessoa. Sem dúvida, está trazendo boa notícia”.
Aimaás gritou para o rei: “Paz! " Ele se prostrou com o rosto em terra em
28
reverência ao rei e disse: “Bendito seja o Eterno, o seu Yaohuh! Ele entregou
em suas mãos os homens que se rebelaram contra o meu senhor, o rei”.
O rei perguntou: “E o jovem Absalão, ele está bem?”. Aimaás disse: “Vi grande
29
confusão quando Joabe me enviou para cá, mas não sei do que se tratava”.
O rei disse: “Fique aqui ao lado”. Ele ficou ali.
30
O etíope chegou e disse: “Tenho boa notícia para o meu senhor, o rei! Hoje o
31
Eterno deu vitória sobre todos os que se rebelaram contra o senhor!”
O rei perguntou: “E o jovem Absalão, ele está bem?”. O etíope respondeu: “Que
32
todos os inimigos do meu senhor, o rei, e todos os que agem maldosamente
contra o senhor tenham o mesmo destino dele”
33
O rei ficou abalada. Abatido, subiu ao quarto que ficava por cima da porta e
chorou. Enquanto chorava, gritava: “Ah, meu filho Absalão! Meu querido filho
Absalão! Quem me dera eu tivesse morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu
filho querido!”


O LUTO DE DAVI POR ABSALÃO


19:
1-4
Foram dizer a Joabe que Davi chorava amargamente a morte de Absalão, e
aquele dia de vitória se transformou em dia de luto à medida que se espalhava
a notícia pelo exército de que o rei chorava a morte do filho. Por isso, o exército
entrou na cidade discretamente, como um exército humilhado por uma derrota.
O rei cobria o rosto com as mãos e chorava sem parar: “Ah, meu filho Absalão!
Absalão, meu filho querido!”
Joabe, em particular, censurou o rei: “É o fim! O senhor despreza os seus
5-7
servos leais, que salvaram a sua vida, sem falar na vida de seus filhos, filhas,

mulheres e concubinas. Parece que o senhor ama quem o odeia e odeia quem
o ama? Assim, demonstra que os soldados e os oficiais não valem nada para o
senhor. Se Absalão estivesse vivo agora, todos nós estaríamos mortos. O
senhor estaria contente? Deixe disso. Vá lá fora e dê uma palavra de ânimo a
seus amigos! Assim como vive o Eterno, se o senhor não for, todos o
abandonarão. Ao anoitecer, não haverá um único soldado aqui, a pior coisa que
poderia acontecer”.
8
Então, o rei saiu e ficou em seu lugar, na entrada da cidade. Logo, todos o
notaram: “Veja! O rei veio nos receber!”. Todo o exército se apresentou ao rei.
Mas os israelitas fugiram do campo de batalha direto para casa.
9-10
Enquanto isso, o povo de todas as tribos de lsrael reclamava com os líderes:
“Não foi o rei que nos salvou das mãos dos inimigos e nos livrou da opressão
dos filisteus? Depois, ele teve de fugir do país por causa de Absalão. Agora,
Absalão, a quem proclamamos rei, está morto. O que estamos esperando? Por
que não trazemos o rei de volta?”
11-13
Quando Davi soube do que estava acontecendo, mandou dizer aos sacerdotes
Zadoque e Abiatar: “Perguntem às autoridades de Judá: ‘Por que estão
demorando tanto para levar o rei de volta a seu palácio? Somas todos irmãos!
Vocês são meu sangue e minha carne. Então, por que vocês seriam os últimos
a me levar de volta?’. Digam ainda a Amasa: ‘Você também é meu sangue e
minha carne. Yaohuh é testemunha de que nomeei você comandante do
exército, no lugar de Joabe’”.
14
Davi conquistou a simpatia de Judá, e todos concordaram em dizer ao rei:
“Voltem, o senhor e todos os seus partidários”.
15-18
Então, o rei voltou. Ele chegou ao Jordão no momento em que o povo de Judá
chegava a Gilgal para recepcionar o rei e ajudá-lo a atravessar o rio. Até
mesmo Simei, filho de Gera, o benjamita de Baurim, apressou-se em
acompanhar os homens de Judá e recepcionar o rei. Mil benjamitas foram com
ele. Também Ziba, criado de Saul, com seus quinze filhos e vinte escravos,
atravessaram o Jordão para encontrar o rei e fazer atravessar sua comitiva.
Todos faziam o que podiam para agradar ao rei.
18-20
Logo que atravessou o Jordão, Simei, filho de Gera, prostrou-se em profunda
reverência diante do rei e disse: “Não pense mal de mim, meu senhor! Esqueça
meu desabafo inconsequente, naquele dia em que o meu senhor saía de
Jerusalém. Não guarde isso contra mim! Reconheço que errei. Mas olhe para
mim. Sou o primeiro de toda a tribo de José a vir receber de volta o rei, o meu
senhor! "
Abisai, filho de Zeruia, o interrompeu: “Chega! Não será melhor matá-lo de uma
21
vez? Ele amaldiçoou o ungido do Eterno!”.
Mas Davi disse: “O que vocês têm com isso, filhos de Zeruia? Por que insistem
22
em criar confusão? Ninguém será morto hoje. Sou rei sobre lsrael outra vez! ".
O rei olhou para Simei e disse: Você não morrerá”. Davi jurou isso a ele.
23
24-25
Mefibosete, neto de Saul, também chegou de Jerusalém para saudar o rei. Ele
não tinha arrumado o cabelo, nem aparado a barba, nem trocado de roupa
desde que o rei tinha saído até o seu retorno em segurança. O rei disse: "Por
que você não veio comigo, Mefibosete? ".
Ele respondeu: “Ó, rei, meu senhor! Meu servo me enganou. Dei a ele ordens
26-28
para que selasse o jumento, de modo que eu pudesse seguir o rei, pois, como o
senhor sabe, sou aleijado. Ele mentiu para o rei a meu respeito. Mas, meu
senhor, o rei, tem sido como um anjo de Yaohuh: ele faz o que é certo. Não
foram destruídos todos os da família de meu pai? Mas o senhor me acolheu e
me deu um lugar à sua mesa. Que mais eu poderia esperar ou pedir?”
O rei disse: “Chega! Não diga mais nada. Esta é a minha decisão: você e Ziba
29
dividam a propriedade entre vocês".
Mefibosete disse: “Não. Deixe que ele tique com tudo! A única coisa que me
30
importa é que o meu senhor, o rei, volte seguro para casa!”.
31-32
Barzilai, o gileadita, também tinha vindo de Rogelim. Ele atravessou o Jordão
com o rei para se despedir dele. Barzilai já estava bem idoso. Tinha 80 anos de
idade! Era muito rico e tinha sustentado o rei todo o tempo em que ele esteve
em Maanaim.

O rei disse a Barzilai: “Venha comigo para Jerusalém. Vou cuidar de você”.
33
34-37 Mas Barzilai recusou a oferta: “Quanto tempo o senhor acha que eu teria de
vida se fosse com o rei para Jerusalém? Tenho 80 anos de idade e já não sou
mais útil para ninguém. Não sinto o gosto da comida e estou ficando surdo.
Então, por que o meu senhor assumiria mais esse incômodo? Vou acompanhar
o rei até um pouco mais adiante do Jordão. Mas por que o rei me retribuiria por
isso? Deixe-me voltar e morrer em minha cidade natal e ser sepultado com meu
pai e minha mãe. Mas aqui está o meu escravo Quimã. Ele poderá acompanhar
o senhor em meu lugar. Faça com ele o que achar melhor!”.
O rei disse: “Está bem. Quimã irá comigo! Eu cuidarei bem dele. Se você se
38
lembrar de alguma outra coisa, avise-me, e eu farei por você”.
3940 O exército atravessou o Jordão, mas o rei permaneceu do outro lado. Davi
beijou e abençoou Barzilai, que voltou para casa. O rei atravessou para Gilgal, e
Quimã foi com ele.
40-41 Todo o exército de Judá e metade do exército de Israel acompanhavam o rei.
Os homens de Israel foram perguntar ao rei: “Por que nossos irmãos, os
homens de Judá, tomaram conta de tudo, como se mandassem no rei,
escoltando o senhor, sua família e seus aliados mais próximos na travessia do
Jordão?”
Os homens de Judá retrucaram: “Porque o rei é nosso parente! Só por isso!
42
Mas, por que criar caso? Não somos tratados com privilégios por causa disso,
somos?”.
Os homens de Israel responderam: “Temos dez partes do rei comparadas com
43
uma de vocês. Além do mais, somos os primogênitos. Então, por que temos de
ser tratados como cidadãos de segunda categoria? Foi nossa ideia trazê-lo de
volta”. Mas os homens de Judá foram mais agressivos que os homens de Israel.
20:
1
Naquele momento, um jovem imprestável chamado Seba, filho de Bicri, de
Benjamim, tocou uma trombeta e gritou para o povo: “Não temos nada com
Davi, não há futuro para nós com o filho de Jessé! Vamos embora daqui, Israel!
Volte cada um para a sua casa”.
2-3
Todos os homens de Israel abandonaram Davi e seguiram Seba, filho de Bicri.
Mas os homens de Judá permaneceram leais a ele. Acompanharam o rei desde
o Jordão até Jerusalém. Quando o rei Davi chegou de volta a Jerusalém, tomou
as dez concubinas que deixara vigiando o palácio e as isolou, sob a proteção de
guardas. Ele supria as necessidades delas, mas não as visitava. Elas ficaram
praticamente prisioneiras até a morte, viúvas de marido vivo.
O rei deu ordens a Amasa: “Daqui três dias, reúna os homens de Judá”. Amasa
4-10
foi cumprir a ordem, mas demorou a voltar. Por isso, Davi disse a Abisai: “Seba,
filho de Bicri, nos atacará e fará pior que Absalão. Reúna meus homens e vá à
procura dele, antes que se refugie em alguma fortaleza na qual não consigamos
apanhá-lo”. Então, sob o comando de Abisai, os melhores soldados, os homens
de Joabe, os queretitas e os peletitas saíram de Jerusalém em busca de Seba,
filho de Bicri. Aproximando-se da rocha de Gibeom, Amasa veio ao encontro
deles. Joabe estava em traje militar com uma espada presa à cintura, mas a
espada escapou e caiu no chão. Joabe cumprimentou Amasa: “Como está, meu
irmão?” E segurou a barba de Amasa com a mão direita, como se fosse beijá-lo.
Amasa não tinha percebido que Joabe tinha uma espada na outra mão. Joabe
enterrou a espada na barriga dele, e suas entranhas caíram no chão. Nem foi
necessário outro golpe. Amasa morreu na hora. Depois, Joabe e seu irmão
Abisai seguiram caminho em busca de Seba, filho de Bicri.
11-14 Um dos soldados de Joabe pôs-se a seu lado e gritou: “Todos os que quiserem
ficar do lado de Joabe e apoiar Davi sigam Joabe!”. Enquanto isso, o corpo de
Amasa continuava caído no meio da estrada, numa poça de sangue. Vendo o
moço que todo o exército parava para olhar, arrastou o corpo de Amasa para
fora da estrada e o cobriu com um pano, para não despertar curiosidade.
Depois que o retirou dali, os soldados passavam normalmente em busca de
Seba, filho de Bicri. Seba percorreu todas as tribos de Israel até Abel-Bete-
Maaca. Os bicritas se juntaram a ele e entraram com ele na cidade.
15
O exército de Joabe cercou Seba em Abel-Bete-Maaca e construiu uma rampa
de ataque contra a muralha da cidade. O plano era destruir os muros.

16-17 Mas uma mulher esperta gritou da cidade: “Ouçam! Digam a Joabe para chegar
até aqui. Quero conversar com ele”. Quando ele se aproximou, a mulher
perguntou: “Você é Joabe?” Ele respondeu: “Sim, sou eu”. Ela disse: “Ouça o
que tenho a dizer”. Ele disse: “Estou ouvindo”.
16-19 “Aqui temos um ditado: ‘Se você procura respostas, em Abel encontrará!’.
Somos pessoas tranquilas e confiáveis. Mas você está aí, tentando destruir uma
das cidades mais antigas de Israel. Por que pretende destruir a herança do
Eterno?”.
20-21 Joabe protestou: “Acredite, você está enganada. Não estou aqui para ferir
ninguém nem para destruir coisa alguma de vocês. Mas um homem das
montanhas de Efraim, chamado Seba, filho de Bicri, se revoltou contra o rei
Davi. Entregue-o a nós, e deixaremos vocês em paz”. A mulher disse a Joabe:
“Tudo bem. Lançaremos a cabeça dele do alto do muro”.
22
A mulher apresentou sua proposta aos habitantes da cidade, e eles
concordaram. Cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram para
Joabe. Ele tocou a trombeta, e todos os seus soldados voltaram para casa.
Joabe voltou para o rei, em Jerusalém.
23-26 Joabe voltou a comandar o exército de Israel. Benaia, filho de Joiada,
comandava os queretitas e os peletitas. Adonirão era chefe das equipes de
trabalho. Josafá, filho de Ailude, era arquivista. Seva era secretário. Zadoque e
Abiatar eram sacerdotes. Ira, de Jair, era sacerdote de Davi.


FOME E GUERRA


21:
1
Durante o reinado de Davi, houve três anos de fome. Davi buscou o Eterno, e
ele disse: “Essa fome é por causa do sangue dos gibeonitas, derramado por
Saul e sua família”.
2
O rei reuniu os gibeonitas, que não faziam parte de Israel. Eles representavam
o que tinha restado dos amorreus e eram protegidos por causa de um acordo
com Israel. Mas Saul, fanático pela honra de Israel e de Judá, tentou exterminá-
los.
Davi disse aos gibeonitas: “O que posso fazer por vocês? Como poderei
3
compensá-los, para que vocês abençoem a herança do Eterno?”
Os gibeonitas responderam: “Não queremos o dinheiro de Saul e de sua família.
4
E não cabe a nós matar ninguém em Israel”. Mas Davi insistiu: “O que querem
que eu faça por vocês?”
Finalmente, disseram ao rei: “Que nos sejam entregues sete descendentes do
6-6
homem que tentou nos destruir e nos eliminar do território de Israel, para que
sejam enforcados diante do Eterno, em Gibeá de Saul, o monte santo”. Davi
concordou: “Eu os entregarei a vocês”
7-9
O rei poupou Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento
que tinha feito a Jônatas perante o Eterno. Mas o rei escolheu Armoni e
Mefibosete, os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, tinha dado a Saul, e os cinco
filhos que Merabe, filha de Saul, deu a Adriel, filho de Barzilai, de Meolá. Ele os
entregou aos gibeonitas, que os enforcaram no monte perante o Eterno. Os
sete morreram ao mesmo tempo. Eles foram executados no início da colheita
da cevada.
10
Rispa, filha de Aiá, pegou um pano de saco, fez com ele uma barraca sobre
uma rocha e ficou ali desde o começo da colheita até o inicio das chuvas.
Durante o dia, ela impedia que os pássaros chegassem aos corpos; durante a
noite, não deixava que os animais selvagens se aproximassem.
11-14 Davi foi informado do que Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul, estava
fazendo. Então, ele foi buscar os restos de Saul e de seu filho Jônatas, que
estavam com os líderes de Jabes-Gileade (eles os tinham resgatado da praça
de Bete-Seã, depois que foram enforcados pelos filisteus, que os tinham
matado em Gilboa). Ele recolheu os restos deles e os levou para o lugar em que
estavam os outros sete corpos, e todos foram levados de volta para a terra de
Benjamim e sepultados no túmulo de Quis, pai de Saul. Tudo foi feito conforme
as ordens do rei. Depois disso, Yaohuh respondeu às orações de Israel a favor
da terra.

15-17 Houve outra guerra entre os filisteus e os israelitas. Davi e seus soldados
saíram para lutar. Davi ficou exausto. Isbi-Benobe, guerreiro descendente de
Rafa, anunciou que mataria Davi. Sua lança pesava três quilos e seiscentos
gramas, e ele vestia uma armadura nova. Mas Abisai, filho de Zeruia, socorreu
Davi e matou o filisteu. Depois do incidente, os soldados de Davi fizeram um
juramento: “O senhor não sairá mais conosco à guerra, para que a lâmpada de
Israel não se apague!”.
18
Depois, houve outra guerra contra os filisteus em Gobe. Sibecai, de Husate,
matou Safe, outro guerreiro descendente de Rafa.
19
Em outro conflito contra os filisteus em Gobe, Elanã, filho de Jaaré-Oregim,
tecelão de Belém, matou Golias, de Gate, cuja lança tinha uma haste que
parecia o eixo de um tear.
20-21 Outra batalha foi travada em Gate. Estava ali um gigante que tinha seis dedos
nas mãos e nos pés — vinte e quatro ao todo! Ele também era um dos
descendentes de Rafa. Ele provocou Israel, e Jônatas, filho de Simeia, irmão de
Davi, o matou.
22
Esses quatro eram descendentes de Rafa, naturais de Gate. Todos foram
mortos por Davi e seus soldados.
22:
1
Davi louvou o Eterno com as palavras deste cântico, depois que Yaohuh o livrou
de todos os seus inimigos e de Saul:
2-3
O Eterno é a minha rocha, o castelo no qual me refugio, o meu libertador. Meu
Yaohuh, minha rocha, para onde corro quando preciso me proteger, e me
escondo atrás da rocha, fico a salvo no esconderijo. Minha rocha de refúgio, ele
me salva do homem perverso.
4
Louvo o Eterno, é digno de louvor, e nele encontro segurança e salvação.
5-6
As ondas da morte quebraram sobre mim, torrentes de destruição me
apavoraram. As cordas do inferno me prenderam e armadilhas de morte me
cercaram.
7
Clamei ao Eterno na minha angústia, ao meu Yaohuh clamei. Do seu aposento,
ele me ouviu; o meu clamor chegou à sua presença — uma audiência particular!
8-16
A terra tremeu e sacudiu; os alicerces do céu sacudiram como folhas,
Tremeram como folhas de álamo por causa de sua ira. Das suas narinas, saiu
fumaça; sua boca cuspia fogo. Línguas de fogo foram lançadas; ele baixou o
céu. Ele desceu; debaixo dos seus pés, abriu-se um abismo. Ele montou uma
criatura voadora, veloz sobre as asas do vento. Ele se cobriu com densas
nuvens de chuva. Mas o brilho da sua presença irrompeu, como um grande
leque de fogos. O Eterno trovejou do céu; o Altíssimo provocou grande
estrondo. Lançou flechas e espantou os inimigos. Arremessou raios e os fez
fugir. Os lugares secretos do oceano foram expostos, as profundezas da terra
foram descobertas quando o Eterno protestou e despejou sua fúria.
17-20 Mas ele me segurou — me alcançou desde o céu até o mar. Tirou-me do
oceano de ódio, do caos do inimigo, do abismo em que estava me afundando.
Eles me feriram quando eu estava abatido, mas o Eterno foi o meu auxilio. Ele
me pôs em lugar espaçoso; fui posto a salvo, graças a seu amor!
21-25 O Eterno me recompensou por tudo que fiz quando me apresentei diante dele.
Quando terminei a minha obra, ele me deu refrigério. De fato, tenho procurado
seguir os caminhos do Eterno; levo Yaohuh a sério. Todos os dias, observo as
obras de Yaohuh, não me esqueço de nenhum detalhe. Sinto-me refeito e
continuo atento aos meus passos. O Eterno reescreveu a minha vida quando
abri o livro do meu coração diante dele.
26-28 Tu não abandonas os que se apegam a ti, és correto com os que são corretos
contigo, És bondoso para os bons, mas és severo com os perversos. Acodes os
abatidos, mas humilhas os soberbos.
29-31 Tu, ó Eterno, és a luz do meu caminho, o Eterno dissipa as trevas. Esmago
exércitos inteiros, transponho enormes barreiras. Que Yaohuh! Seus caminhos
são planos e retos. Sua palavra é provada. Todos os que nele se refugiam
Encontram proteção.
32-46 Há outro Yaohuh igual ao Eterno? Não estamos sobre a rocha? Não é esse o
Yaohuh que me capacitou a lutar e dirigiu o meu caminho? Corro como uma
gazela; Sou o rei da montanha. Ele me preparou para lutar; posso vergar um

arco de bronze! Tu me proteges com o escudo da salvação; tocas em mim, e
me sinto fortalecido. Alargas debaixo dos meus pés o caminho, para que os
meus passos não vacilem. Quando persigo os meus inimigos, eu os alcanço;
não desisto deles até que estejam mortos. Esmago-os: são derrotados
definitivamente; depois, passo por cima deles. Tu me preparaste para lutar,
para esmagar os soberbos. Fizeste os meus inimigos virarem as costas, para
que eu pudesse eliminar os que me odiavam. Eles gritaram, pedindo ajuda, mas
ninguém os socorreu. Clamaram ao Eterno e não receberam resposta. Eu os
transformei em pó, e eles foram espalhados ao vento. Eu os lancei fora como
lixo numa vala. Tu me livraste das rebeliões do povo e fizeste de mim chefe das
nações. Povos de que nunca ouvi falar vieram me servir e, quando ouviram a
minha voz, se renderam. Entregaram-se, saindo aterrorizados dos esconderijos.
47-51
Viva o Eterno! Bendita seja a minha Rocha, Yaohuh, a minha Torre de
Salvação! Esse Yaohuh me defende e faz calar os que me acusam. Ele me
livrou da ira do inimigo. Tu me livraste das garras dos arrogantes, Salvaste-me
dos agressores. Por isso, engrandeço a ti, ó Eterno, entre todas as nações. Por
isso, cantarei louvores que rimam com o teu nome. O rei conquista grandes
vitórias; o escolhido de Yaohuh é amado. Estou falando de Davi e todos os seus
descendentes. Sempre.
Estas foram as últimas palavras de Davi: “Voz do filho de Jessé, voz do homem
23:
1
que Yaohuh conduziu até o topo, A quem o Yaohuh de Jacó tornou rei e o
cantor mais conhecido de Israel!
2-7
O Espírito do Eterno faiou por meu intermédio, suas palavras se formaram em
meus lábios. O Yaohuh de Israel falou a mim, a Rocha de Israel me disse:
Aquele que governa de maneira justa e correta, que administra com o temor de
Yaohuh, É como a luz do amanhecer num dia sem nuvens; Como a grama
verde que cobre o chão, crescendo sob o ar puro’. Foi assim a minha dinastia,
pois Yaohuh cumpriu seu acordo comigo. Ele fez uma promessa e a cumpriu
fielmente. Todas as minhas vitórias e todos os meus desejos, ele fará
prosperar. Mas os ímpios são como espinhos amontoados e lançados fora.
Neles não se deve tocar: mantenham distância com um rasteio ou um cabo.
São excelentes como lenha!”.
8
Estes foram os valentes guerreiros de Davi: Jabesão, um tacmonita. Era chefe
dos três principais oficiais. Certa vez, com sua lança, atacou oitocentos homens
e matou todos num só dia.
9-10
Em segundo lugar entre os três estava Eleazar, filho de Dodô, o aoíta. Ele
estava com Davi quando os filisteus os enfrentaram em Pas-Damim. Quando os
filisteus se prepararam para a batalha, Israel retrocedeu. Mas Eleazar
permaneceu onde estava e matou filisteus a torto e a direito até ficar exausto,
mas sem largar a espada! Naquele dia, o Eterno concedeu grande vitória. O
exército se juntou outra vez a Eleazar, mas apenas para saquear os filisteus.
11-12
Samá, filho de Agé, de Harar, era o terceiro. Os filisteus se reuniram para a
batalha em Lei, onde havia uma lavoura de lentilhas. Israel fugiu dos filisteus,
mas Samá ficou no meio da plantação e a defendeu com coragem. Os filisteus
foram derrotados. Outra grande vitória concedida pelo Eterno!
13-17
Certa vez, no período da colheita, os três se separaram dos trinta e se juntaram
a Davi na caverna de Adulão. Havia um grupo de filisteus acampados no vale
de Refaim. Enquanto Davi se escondia na caverna, os filisteus acamparam em
Belém. Um dia, Davi suspirou: “Como gostaria de beber água do poço da
entrada de Belém!” Então, os três entraram no acampamento dos filisteus,
tiraram água do poço que ficava na entrada de Belém e a trouxeram para Davi.
Mas Davi não quis beber. Ele a derramou como oferta ao Eterno, dizendo: “De
modo algum, ó Eterno, eu beberia esta água, porque não é apenas água: é o
sangue dos três. Eles arriscaram a própria vida para trazê-la até mim!”. Por
isso, Davi se recusou a beber. Era esse tipo de coisa que esses três guerreiros
faziam.
18-19
Abisai, irmão de Joabe e filho de Zeruia, era chefe dos trinta. Certa vez, ele foi
condecorado por matar trezentos homens com sua lança, mas nunca recebeu
as mesmas honras que os três. Ele era o mais respeitado dos trinta e era o
capitão, mas não estava incluído entre os três guerreiros principais.

20-21 Benaia, filho de Joiada, de Cabzeel, era um soldado corajoso, responsável por
atos heróicos. Certa vez, ele matou dois leõezinhos em Moabe. Outra vez, no
meio da neve, entrou num buraco e matou um leão. Em outra ocasião, matou
um egípcio de grande estatuía. O egípcio estava armado com uma lança, e
Benaia o enfrentou apenas com uma vara. Ele arrancou a lança da mão do
egípcio e o matou com ela.
22-23 Benaia, filho de Joiada, ficou famoso por esses atos, mas não alcançou o posto
dos três. Ele era muito respeitado pelos trinta, mas não estava incluído entre os
três. Davi o pôs como chefe de sua guarda pessoal.


OS TRINTA


24-39 Os trinta eram: Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém; Samá e
Elica, de Harode; Helez, de Pelete; Ira, filho de Iques, de Tecoa; Abiezer, de
Anatote; Mebunai, de Husate; Zalmom, de Aoí; Maarai, de Netofate; Helede,
filho de Baaná, de Netofate; Itai, filho de Ribai, de Gibeá de Benjamim; Benaia,
de Piratom; Hidai, dos riachos de Gaás; Abi-Albom, de Arbate; Azmavete, de
Baurim; Eliaba, de Saalbom; Jasém, de Gizom; Jônatas, filho de Samá, de
Harar; Aião, filho de Sarar, de Harar; Elifelete, filho de Aasbai, de Maaca; Eliã,
filho de Aitofel, de Gilo; Hezrai, do Carmelo; Paarai, de Arabe; Igal, filho de
Natã, de Zobá; o filho de Hagri; Zeleque, de Amom; Naarai, de Beerote,
escudeiro de Joabe, filho de Zeruia; Ira e Garebe, de Jatir; e o hitita Urias. Ao
todo trinta e sete.
24:
1-2
Mais uma vez, o Eterno se enfureceu contra Israel. Ele testou Davi, dizendo:
“Faça um censo de Israel e de Judá”. Davi deu ordens a Joabe e aos oficiais do
exército, dizendo: “Percorram todas as tribos de lsrael, desde Dã até Berseba, e
façam o levantamento de toda a população. Quero saber o número de
habitantes".
Joabe resistiu e disse ao rei: “Que o Eterno multiplique cem vezes o número de
3
pessoas à vista do meu senhor, mas qual a necessidade disso? "
4-9
O rei, entretanto, insistiu, e Joabe e os oficiais do exército se despediram do rei
e saíram para levantar o censo de Israel. Atravessaram o Jordão, começando
em Aroer, pela cidade no vale de Gade, perto de Jazer. Prosseguiram para
Gileade, passaram o Hermom, depois, seguiram para Dã e contornaram Sidom.
Percorreram a fortaleza de Tiro e todas as cidades dos heveus e dos cananeus.
Finalmente, chegaram ao Neguebe de Judá, em Berseba. Percorreram todo o
país e, depois de nove meses e vinte dias, voltaram para Jerusalém. Joabe
entregou os resultados do censo ao rei. Em lsrael, havia oitocentos mil homens
capazes de lutar, e em Judá, quinhentos mil.
10
Mas, depois de tudo feito, Davi se sentiu culpado por ter levantado o censo da
população, confiando nos dados apurados. Davi orou ao Eterno: “Pequei contra
ti no que acabei de fazer. Mas peço-te que perdoes a minha culpa. Fui
imprudente”.
11-12 No dia seguinte, quando Davi se levantou, veio a palavra do Eterno ao profeta
Gade, conselheiro espiritual de Davi: “Vá dizer a Davi: ‘O Eterno diz o seguinte:
Há três castigos que posso dar. O que você escolher, eu executarei’".
Gade entregou a mensagem: “O senhor prefere três anos de seca na terra, três
13
meses fugindo dos seus inimigos enquanto eles o perseguirem ou três dias de
epidemia no país? Pense e resolva. O que devo dizer a quem me enviou?”.
Davi disse a Gade: “São todos terríveis! Mas prefiro ser punido pelo Eterno, cuja
14
misericórdia não tem fim, a cair nas mãos dos homens”.
15-16 O Eterno enviou uma epidemia desde cedo até a noite. Desde Dã até Berseba,
morreram setenta mil pessoas. Mas, quando o anjo chegou para destruir
Jerusalém, o Eterno percebeu o sofrimento e o terror e ordenou ao anjo que
estava executando a sentença: “Basta! Já chega!” O anjo do Eterno tinha
acabado de chegar à eira de Araúna, o jebuseu. Davi olhou e viu o anjo se
movendo entre a terra e o céu com a espada pronta para ferir Jerusalém. Davi e
seus conselheiros se curvaram em oração e se vestiram de pano de saco.
Quando Davi viu o anjo pronto para matar o povo, orou, dizendo: “Ah! Fui eu
17
que pequei. Eu, o pastor, cometi esse erro. Mas o que estas ovelhas fizeram de
errado? Castigue a mim e a minha família, mas não a eles”.

18-19 Naquele mesmo dia, Gade procurou Davi e disse: “Construa um altar na eira de
Araúna, o jebuseu”. Davi foi cumprir a ordem do Eterno, transmitida por Gade.
20-21 Quando Araúna viu Davi e seus homens se aproximando, prostrou-se com o
rosto em terra e, respeitosamente, disse ao rei: “Por que meu senhor, o rei, veio
me ver?." Davi respondeu: “Vim comprar a sua eira para construir um altar ao
Eterno e pôr fim a esta calamidade”.
22-23 Araúna disse: “Meu senhor, pode pegar e sacrificar o que quiser. Ali está um boi
para o holocausto. A canga e as tábuas para debulhar podem servir de lenha
para a fogueira. Dou tudo isso ao rei! Que o Eterno, seu Yaohuh, tenha
misericórdia do senhor”.
24-25 Mas o rei disse a Araúna: “De modo algum! Quero pagar preço justo por tudo
isso. Não oferecerei ao Eterno, meu Yaohuh, sacrifícios que não me custem
nada”. Então, Davi comprou a eira e o boi por cinquenta peças de prata. Ele
construiu um altar ao Eterno e sacrificou ofertas queimadas e ofertas de paz. O
Eterno ouviu a sua oração e fez cessar a calamidade.

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